Curso de padaria fomenta agronegócio na Expo
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de abril de 2006
Vanessa Navarro Reportagem Local 
Existem participantes da 46ª Exposição Industrial e Agropecuária de Londrina que continuam colhendo os frutos do evento mesmo depois que ele acaba. Estão nesse grupo os cerca de 20 alunos do curso de panificação gratuito oferecido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que ontem passaram o dia com as mãos na massa e na calculadora dentro da ''fábrica'' instalada na Fazendinha (Via Rural).
A proposta da Emater, que coordena cursos do gênero durante todo o ano, é introduzir pequenos produtores rurais no agronegócio como forma de aumentar a renda familiar. Objetivo que não se atinge somente com lições de como fabricar os produtos. ''Aqui os alunos aprendem a montar um plano de negócio, estudar sua viabilidade, estratégias de comercialização. Ao final das aulas, têm que vender os produtos fabricados na própria feira'', explica o coordenador regional de agroindústria da Emater, Gervásio Vieira.
Fatores como estrutura, mão-de-obra e tempo disponíveis, além, é claro, da própria ambição dos produtores rurais é que irão determinar a dimensão do negócio. Segundo Vieira, mesmo uma pequena família que se dedica à produção de grãos, por exemplo, pode produzir pães sem precisar contratar funcionários. ''É possível conciliar as atividades. A família pode optar por se dedicar à fabricação de pães dois ou três dias por semana, dependendo da quantidade que ela se propõe a fornecer aos compradores'', ilustra. Ele observa que o agronegócio pode ser uma boa oportunidade de absorver a mão-de-obra dos filhos que vão crescendo ou da mulher que trabalha em casa.
''Não por acaso, as mulheres representam mais de 80% dos responsáveis por tocar esses negócios, tanto botando a mão na massa, como administrando. Elas têm dedicação, disciplina e uma atenção a detalhes que fazem a diferença'', salienta o coordenador. Apenas três dos participantes do curso de ontem eram homens.
Marli Vetori, 42 anos, uma das alunas, passa a impressão de que as mulheres já nascem com a semente do empreendedorismo. Depois de uma vida trabalhando como dona-de-casa e ajudando o marido na lavoura, na pequena propriedade de fruticultura em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), há dois anos Marli descobriu que tinha vocação para o agronegócio. Junto com quatro amigas, formou o ''Grupo de Mulheres da Água da Boa Esperança'', referência ao distrito rural.
''Já estamos comercializando doces, geléias, compotas e conservas. Agora queremos somar os pães. Nesses dois anos estamos pagando despesas, montando uma cozinha industrial, só agora é que a gente vai ter retorno do capital investido'', vislumbra.
A princípio sem objetivos comerciais, Valéria Padial Garla, 29 anos, de Cambé (13 km a oeste de Londrina), disse que não descartava a idéia de capitalizar o que estava aprendendo. ''Me inscrevi porque adoro cozinhar, gosto de massas e estou buscando uma alimentação mais saudável. Mas não deixa de ser uma boa idéia comercializar os pães, pois não estou trabalhando'', explicou.


