Curso atrai apreciadores de café
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quinta-feira, 05 de maio de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Depois dos chefs de cozinha, uma outra profissão começa a ganhar glamour. É o barista, profissional responsável pelo café em bares, cafeterias, restaurantes e hotéis. De olho nesse novo mercado, pelo menos 50 pessoas participaram do curso oferecido durante o IV Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, que reuniu especialistas do setor durante três dias no Centro de Eventos de Londrina.
O curso foi ministrado pela barista Lidiane Fonseca de Lima, do Centro de Comércio de Café do Rio de Janeiro, em parceria com a Associação Brasileira da Indústrias de Café (Abic), que ensinou os participantes a preparar o verdadeiro café expresso. ''Um expresso bem tirado é uma arte, é um café perfeito'', diz Lidiane, acrescentando que o barista tem que conhecer do grão à xícara.
Dizem os baristas que o café expresso perfeito tem espuma cor de caramelo rajada com manchas levemente avermelhadas. Segundo Lidiane, um expresso bem preparado deve seguir os quatro Ms: ''miscela'' (blend), que consiste na seleção do grãos de diferentes características a fim de obter um determinado aroma e sabor; o ''moinho'', que deve ter uma regulagem perfeita para a moagem ideal do expresso; a ''máquina'' que deve ser de acordo com o serviço que será oferecido e a ''mão do operador'', que deve ser treinada. ''Hoje, a profissão tem um campo muito reconhecido. Se contrata baristas para eventos, por exemplo. Saber preparar um bom expresso tem o seu charme e requer um certo mis-en-scêne (encenação)'', comenta Lidiane.
O professor de linguística Flávio Freire é um apaixonado por café e não perdeu a chance de fazer o curso. ''Adoro café. Faço um expresso amador, mas tinha curiosidade de fazer o curso'', conta ele, que mantém uma relação de amor e ódio com o café. ''Amor porque gosto e ódio porque me faz mal para a gastrite'', diz Freire, que tem a intenção de abrir uma cafeteria futuramente.
Embora o curso seja realizado em apenas um dia, Freire disse que a prática lhe deu noção de como operar algumas máquinas de expresso e como preparar também o creme para o capuccino. ''Acho estranho a gente estar na terra do café e não ver esse tipo de curso ser realizado com mais frequência na cidade. Acho que esse é o caminho para a profissionalização'', comenta o professor.
Também estava interessada no curso a economista doméstica de Apucarana Jandira Valmorbida. Segundo ela, na semana que vem terá um encontro de cafeicultores na cidade e haverá uma programação voltada para as mulheres produtoras. ''Vamos levar algumas dicas de como preparar um bom café''.


