Curitiba vive febre de concessionárias
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sábado, 21 de junho de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
DivulgaçãoNo páreRevendas de marcas mais antigas no Estado, como a Volvo, também investem na competitividadeA vinda de grandes montadoras para o Paraná está transformando a região de Curitiba num pólo de atração para concessionárias de veículos. Desde os primeiros anúncios da instalação das fábricas, o número de novas revendedoras de veículos dobrou, não apenas em Curitiba, mas em toda a Região Metropolitana. Atualmente, o Paraná já possui 473 concessionárias - 67 apenas na Capital.
Ao contrário do que aconteceu com as montadoras, que utilizaram incentivos fiscais como fator decisivo na localização de suas unidades, as revendedoras de veículos condicionam sua instalação à proximidade das fábricas. A intenção é aproximar o processo produtivo do consumidor final - o que não representa, necessariamente, redução de custos. Para os proprietários de concessionárias, a vizinhança das montadoras funciona com uma vantajosa vitrine, que utiliza a fama que a marca possui na região para aumentar as vendas.
A proximidade com as fábricas também exige adaptação aos padrões europeus estabelecidos pelas multinacionais. Atualmente, as revendas Audi/Volkswagen, Chrysler e Renault no Paraná devem estar dentro das características exigidas pelas montadoras - o que inclui desde a arquitetura à localização das lojas. Embora dificilmente admitam, os proprietários das concessionárias são submetidos a constantes monitoramentos para verificar se os padrões estão sendo seguidos. O objetivo é avaliar se a loja pode servir de exemplo de excelência da marca - fator que costuma ser muito valorizado até mesmo no momento das visitas de demonstração.
Segundo os empresários, a nova mentalidade do setor estabelece a contrução de lojas pequenas, com serviços diferenciados e localização dispersa. O objetivo é investir na proximidade com o consumidor, evitando a formação dos atuais guetos automobilísticos - o que muitas vezes exige grandes deslocamentos e gasto de tempo por parte dos compradores. É o fim do atual Avenidão dos Automóveis, comenta o propretário de uma concessionária de Curitiba, referindo-se ao tradicional centro de comércio de carros da cidade.
Os investimentos feitos na transformação das atuais revendedoras brasileiras têm sido altos. Um das mais novas concessionárias inauguradas na Região Metropolitana, a Luson Veículos, da Volkswagen, consumiu recursos superiores a R$ 2 milhões. A revendedora, que já existe há mais de dois anos e que funcionava numa sede provisória, terá mais de 7 mil metros quadrados e já é considerada a mior concessionária Volkswagen do Sul do País. Temos um mercado competitivo pela frente, o que exige melhorias para conquistar novos clientes, explica o diretor-presidente da Luson, Iverson Antonio da Cruz.
A mesma filosofia de disputa de mercado é adotada também pelas fábricas instaladas há mais tempo no Paraná. Esta semana, a inauguração de uma concessionária Volvo em Curitiba, a Estocolmo Veículos, era anunciada como uma das mais modernas do Estado. São os efeitos da globalização da economia experimentada pela Paraná, comenta um empresário do setor.


