Curitiba - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação para famílias de um a 40 salários mínimos, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), computou uma inflação acumulada de 9,44% para Curitiba, considerada a mais alta no Brasil, no ano. O índice médio no País foi de 7,60%, abaixo do resultado do ano anterior, que foi de 9,30%. Em Curitiba, a inflação de 2004 pesou mais para as famílias de classe média, em função das tarifas públicas, em comparação com as famílias de renda mais baixa.
Já o Indice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice que mede a inflação para famílias de um a oito salários mínimos, de renda mais baixa, atingiu 8,64% em Curitiba, maior índice entre as 12 regiões metropolitanas pesquisadas. A média nacional do INPC ficou em 6,13%, abaixo o índice de 2003, que foi de 10,38%. Conforme justificativa do IBGE, a boa oferta de produtos agrícolas durante o ano contribuiu para redução da inflação para essa faixa de consumidores onde o custo dos alimentos tem um peso maior.
Em compensação ao ano de 2004, no mês de dezembro o IBGE registrou os menores índices inflacionários em Curitiba. O IPCA foi de 0,53% e o INPC foi de 0,39% para uma média nacional de 0,86% para os dois índices. O aumento da gasolina, de 1,93% no mês foi inferior ao das demais regiões. Outros itens importantes como gás de cozinha, alimentos e álcool também registraram deflação.
Conforme o IBGE, pesou para o cutitibano o aumento das tarifas de ônibus urbano (15,15%) e de energia elétrica (22,15%). Os consumidores do Paraná tiveram dois aumentos de energia elétrica, em janeiro e julho de 2004. Em janeiro foi repassado parte do desconto não autorizado pelo governo do Estado em 2003 e em julho houve o reajuste previsto no ano. Também o reajuste nos serviços de água e esgoto (14,02%) foram protelados de 2003 para janeiro de 2004, que aliviou o índice de um ano mas pesou no seguinte.
Outro reajuste ''duplo'' que pesou para o curitibano, como para os demais brasileiros, segundo o IBGE, foi o do telefone fixo que somou uma alta de 15,48%. No ano passado, o telefone fixo agregou além do reajuste anual, um reajuste extra dividido em duas parcelas, setembro e novembro, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os sucessivos reajustes no preço da gasolina provocados pelo aumento nos preços internacionais do petróleo e recomposição de margens de lucro de distribuidoras e postos de combustíveis também pressionaram os índices inflacionários.
Conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), dos 500 itens que compõem a inflação, 20 deles foram responsáveis pela inflação na Região Metropolitana de Curitiba em 2004. Eles responderam por 62% da inflação medida pelo IPCA no ano. Dos 20 itens, 10 corresponderam a preços administrados e monitorados pelo governo.

mockup