Curitiba e São Paulo deverão ser as primeiras cidades brasileiras a testar a mistura de 3% de álcool no óleo diesel, sem a necessidade de aditivos. A proposta será apresentada ao Conselho Interministerial de Álcool (CIMA) no início de dezembro, pelo grupo criado para estudar a viabilidade da mistura.
Os trabalhos do grupo foram concluídos em caráter preliminar e o coordenador, secretário de Desenvolvimento Científico do Ministério da Ciência e Tecnologia, Caspar Erich Stemmer, antecipou que é possível adicionar até 3% de álcool sem prejuízo dos motores.
O grupo vai propor um teste por 30 dias nas duas cidades para detectar eventuais problemas que possam ocorrer. Caspar Stemmer informou que, com o uso de aditivos, há possibilidade da adição de até 10% a 15% de álcool no diesel, mas o grupo vai propor a continuidade dos testes em frotas cativas para um acompanhamento mais efetivo dos efeitos da mistura. A escolha das duas cidades, segundo Caspar Stemmer, deveu-se aos problemas de poluição e à aceitação das empresas de ônibus em fazer os testes.
O álcool já é misturado ao óleo diesel em países como a Suécia, Alemanha, Austrália e Estados Unidos. Entre as vantagens da mistura, o secretário Caspar Stemmer cita a redução da emissão de gás carbônico, ‘‘que dará um crédito ao Brasil no combate ao efeito estufa’’ e a diminuição dos gastos com a importação de óleo diesel.
Segundo ele, o Brasil está importando hoje 15% dos 600 mil barris de diesel consumidos diariamente. ‘‘Com a adição do álcool poderemos chegar a uma economia de até U$ 1,5 milhão por dia se conseguirmos substituir esses 15% de óleo importados’’, explicou. Outras vantagens apontadas pelo cientista são a manutenção dos empregos nas lavouras de cana-de-açúcar e a absorção do excesso da produção de álcool.
A proposta do grupo criado pelo CIMA deverá ser apresentada aos diversos segmentos de produção, como fabricantes de motores, de bombas injetores e representantes de postos de combustíveis, entre outros, no próximo dia 23, em reunião na Associação dos Engenheiros Automotivos (AEA), em São Paulo.

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