Curitiba tem primeira deflação do ano
Carmem Murara
De Curitiba
Pela primeira vez neste ano, Curitiba apresentou deflação, que ficou em 0,12%, segundo pesquisa mensal divulgada ontem pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) referente ao mês de agosto. O índice negativo do custo de vida foi puxado para baixo pelo segmento do vestuário, que apresentou uma variação negativa de 5,2%. O Índice de Preço ao Consumidor (IPC) acumulado no ano é de 5,8%.
O segundo item que teve maior influência na deflação foi o transporte/comunicação, que teve uma variação positiva de 0,76%. O item que mais pesa neste setor é o de combustível. Apesar de a gasolina ter ficado 2,1% mais cara, houve uma redução de 7,7% no preço do álcool. Os usineiros foram obrigados a baixar os preços para escoar o excesso de produção, mas já avisaram que assim que a demanda aumentar eles voltam a subir o preço.
Já o aumento da gasolina ainda vai refletir na inflação de setembro, segundo previsão feita pelos economistas do Ipardes que fizeram a apresentação dos números. Desde o início do ano até agora o combustível aumentou em média 50%, mas os postos conseguiram repassar, na prática, 42%, afirmou o diretor do Centro Estadual de Estatísticas do Ipardes, Arion Foerster. Ele analisa ainda que o comportamento médio do preço da gasolina e as promoções dadas pelos postos de combustíveis poderão ainda refletir neste mês de setembro.
Os alimentos também tiveram um comportamento diferenciado para a composição da inflação negativa de agosto. Alimentos e bebidas, que em julho tiveram queda média de 0,3%, recuperaram o mesmo percentual no mês passado. A alta foi observada, principalmente, pelo aumento de produtos como o tomate (2,9%), frango resfriado (4,8%) e cenoura (52,5%).
Os itens que mais ficaram mais baratos em agosto foram o álcool combustível e o conserto de veículos, mas não tem tanto peso no índice quanto o vestuário. Já a energia elétrica residencial (4%), telefone residencial (5,8%), tarifas de ônibus (3%) tiveram as maiores altas.
A pesquisa para identificar o Índice de Preços ao Consumidor é feita a partir de uma consulta a 1,7 mil estabelecimentos comerciais e 500 domicílios, o que totaliza 75 mil cotações de preços feitas mensalmente. O levantamento atinge famílias que tenham uma renda mensal entre um e 40 salários mínimos, o que representa 90% da população. A metodologia é a mesma utilizada pela Fipe, em São Paulo, para calcular o IPC.





