Curitiba - A Capital paranaense teve o pior dezembro dos últimos dez anos na geração de empregos. No mês passado, o índice registrou queda de 1,48%, o que representou o fechamento de 8.798 postos de trabalho. A explicação para a queda acentuada foi a crise financeira que afeta a economia. Dezembro é um mês em que, tradicionalmente, acontece redução de vagas. Só como base de comparação, no mesmo período de 2007, Curitiba perdeu 1.567 vagas. A previsão do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que a geração de empregos comece a aquecer só a partir de março. Mas, os resultados mais efetivos devem ser observados apenas no segundo semestre.
A economista do Dieese, Lenina Formaggi, acredita que a liberação de R$ 100 bilhões do BNDES para empréstimo para as empresas e o corte de um ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) mostram que o governo está comprometido com a economia e que tenta ''se descolar da crise americana''. Isso tudo pode gerar uma expectativa otimista e levar ao aumento do número de empregos.
Em volume, o setor de serviços foi o que mais perdeu vagas com o fechamento de 3.123 postos de trabalho. No entanto, em percentual, a construção civil foi o segmento com índice mais baixo em dezembro, -4,40%. A indústria de transformação foi bastante afetada e puxou o índice para baixo, com a perda de 3.057 vagas em dezembro. Lenina explicou que as indústrias de alimentos e bebidas, a mecânica e as montadoras foram as que mais desempregaram.
No balanço do ano, o resultado em Curitiba foi positivo com a geração de 28.212 vagas, o que significou um crescimento de 5,12%, mas ainda abaixo de 2007 quando foram criados 30.572 empregos. O ano passado foi o terceiro melhor ano na geração de empregos desde 1999. No Paraná, a variação foi de 5,69% e na Região Metropolitana de Curitiba de 5,66%.
Com o saldo de dezembro, Curitiba alcança o total de 579.727 trabalhadores com carteira assinada. No ano, os setores de serviços e do comércio tiveram os maiores resultados, sendo responsáveis por 21.501 empregos, seguidos da construção que criou 3.427 postos. Em percentual, o setor que mais cresceu foi a construção (14,43%), seguido do comércio (5,61%).
O secretário municipal do Trabalho e Emprego, Jorge Bernardi, lembrou que a previsão é que a economia brasileira tenha um crescimento de 2% em 2009. ''Se as empresa começarem a demitir vai custar mais caro, porque terão que readmitir'', disse. A meta da secretaria é concentrar esforços nos setores que há carência de mão-de-obra e capacitar pessoas nas áreas de mecânica, eletroeletrônica, hotelaria e telemarketing.
Bernardi avalia o ano de 2008 como positivo na geração de empregos. Ele destacou que se o índice de emprego tivesse ficado estável em dezembro, Curitiba teria criado 35 mil vagas no ano passado.

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