Curitiba - O município de Curitiba teve sua classificação rebaixada pela agência de análise de risco Moody's. Conforme noticiou a Agência Estado, as cidades do Rio de Janeiro e Curitiba tiveram notas rebaixadas de B1 para B2, em função da análise do endividamento em moeda estrangeira.
Com a explosão do dólar, a dívida externa de Curitiba alertou o sistema financeiro internacional sobre o perigo de manter os empréstimos para o município. De acordo com a Agência Estado, ''a depreciação da moeda aumenta os encargos sobre os tomadores de empréstimo em dólar''. Na prática isso significa que se o município quiser novos financiamentos externos terá que pagar taxas mais altas de juros pelas linhas de crédito - afirmou o analista de mercado Mohamed Talah Júnior, da empresa de consultoria Century Gestão de Recursos.
De acordo com informações do Banco Central do Brasil, em dezembro de 2001 a dívida externa de Curitiba somava R$ 238,42 milhões e a interna R$ 393 milhões, totalizando R$ 631,47 milhões. Com a desvalorização cambial, o endividamento externo está bem maior do que o informado pelo Banco Central, afirmou o economista Luiz Eduardo Sebastiani, membro do Conselho Federal de Economia, que acompanha o quadro das finanças públicas.
De acordo com o economista, o endividamento de Curitiba coloca a cidade como a quarta capital brasileira que exibe a maior dívida. Está atrás somente de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. ''Ocorre que a capacidade de arrecadação de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro é muito maior do que Curitiba'', analisa o economista.
Segundo Sebastiani, as informações do BC revelam que o endividamento de Curitiba é maior do que cidades como Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife, cuja capacidade de receita é semelhante a da Capital paranaense. ''Isso mostra que os últimos governos municipais vêm sustentando seus programas de governo graças a financiamentos externos. Com a explosão do dólar, a conta para o contribuinte pode se tornar estratosférica'', advertiu.
Para Sebastiani, o contribuinte pode ser chamado a cobrir parte desse endividamento com a elevação dos tributos ou então as metas dos programas sociais podem ser comprometidas com a perda de capacidade financeira do município, ressaltou.
A Prefeitura de Curitiba não quis comentar o assunto alegando que não foi informada oficialmente sobre o rebaixamento.

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