Curitiba Pelo segundo mês consecutivo, a cesta básica de Curitiba apresentou deflação. No mês de julho, a cesta teve queda de 3,08%. Com a redução de 4,94% no mês de junho, o preço dos alimentos básicos já caiu 7,87% nos últimos dois meses. O resultado de julho colocou Curitiba como a sexta capital com maior queda, entre as 16 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A única cidade em que se verificou aumento no conjunto de alimentos básicos no mês passado foi Natal (RN).
Mesmo com a deflação, a variação da cesta básica de Curitiba acumula um aumento de 4,68% nos sete meses do ano. Isso ocorre em função dos cinco primeiros meses do ano, quando foram registradas elevações nos preços dos alimentos, quando a batata e o tomate foram os vilões, explicou o economista do Dieese, Sandro Silva.
Com o resultado de julho, o comprometimento do salário mínimo pela cesta básica caiu de 63,64% no ano passado para 54,40% este ano. Se não houver pressão nos preços da carne e leite, no mês que vem Curitiba poderá apresentar a terceira deflação, acredita Silva.
Em julho, nove dos 13 produtos pesquisados pelo Dieese apresentaram queda de preço. Caíram os preços da batata, banana, arroz, açúcar, farinha de trigo, óleo de soja, feijão, carne e leite. Tomate, manteiga e café tiveram aumento nos preços.
A deflação mais expressiva aconteceu com a batata, que já acumula queda de quase 50% nos últimos dois meses. Segundo o Dieese, no Paraná a colheita do produto concentra-se nos meses de junho e julho, o que provocou o aumento da oferta. A banana apresentou queda de 9,51% também pelo aumento da oferta. O principal fornecedor nesse período, Santa Catarina, reduziu os volumes enviados para a região Nordeste do País, provocando mais oferta no Sul.
O preço do arroz caiu 9,03% em julho, por causa da acomodação do patamar de preço do produto, elevado a níveis irreais a partir da crise de 2002, disse Silva. O açúcar apresentou queda de 8,06% como resultado da boa safra de cana-de-açúcar e do período de colheita que eleva a oferta. A redução de 7,35% no preço da farinha de trigo, foi atribuída à guerra fiscal entre os Estados. No Paraná, o governo isentou os moinhos do recolhimento do ICMS.
O preço do óleo de soja, com queda de 3,81% em julho pode inverter a tendência, com a valorização do preço internacional da soja, disse o economista. O preço do tomate, que apresentou alta de 7,93% também pode ter reversão com o período de colheita. Segundo Silva, o preço do tomate só aumentou no varejo, sendo que não há explicação por parte da produção para essa alta.
A jornada de trabalho necessária para a compra da cesta básica, na média das 16 capitais objetos da pesquisa, voltou a cair em julho, segundo os técnicos do Dieese. A jornada de trabalho equivalente ao valor da cesta básica foi de 116 horas e 49 minutos ou três horas a menos que a jornada de junho.

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