Curitiba tem cooperativa de crédito não-segmentada
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quarta-feira, 19 de novembro de 2003
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
A primeira cooperativa de crédito não-segmentada instalada em uma capital brasileira foi inaugurada na semana passada em Curitiba. O Sistema de Cooperativas do Brasil (Sicoob) Curitiba é uma antiga reinvidicação dos integrantes da Associação Comercial do Paraná (ACP) para a busca de crédito mais barato que o disponibilizado no mercado pelos bancos tradicionais. Em poucos dias de funcionamento, o Sicoob Curitiba arregimentou mais de 300 associados.
As expectativas, de acordo com o presidente José Manoel de Macedo Caron Júnior, são de que o volume de associados aumente em pouco tempo. O Sicoob atende não só a um segmento empresarial, mas qualquer entidade que se enquadre como micro ou pequena empresa, profissionais liberais que não trabalhem como empregados, autônomos (costureiras, jardineiros, carpinteiros, entre outros), sindicatos e entidades de classe e organizações não governamentais.
A possibilidade de trabalhar sem segmentação se viabilizou após mudanças na legislação que rege a atuação das cooperativas, promovidas no final do ano passado. Das dez cooperativas de crédito do sistema Sicoob existentes no Paraná, somente as de Paranavaí e de Curitiba funcionam de forma não-segmentada. Para se associar, os micro e pequenos empresários precisam comprar cotas de participação da cooperativa, no valor de R$ 1 cada uma. A quantidade mínima é de 500 cotas, dando direito ao associado de captar empréstimos de até 10 vezes o valor de sua cota.
Mas a maior vantagem para os cooperados, segundo Caron, são os juros e taxas cobrados pelo sistema. ''Nos bancos normais, os juros de cheque especial tramitam na casa dos 8,5%, enquanto o cheque do Sicoob cobra 4,5% ao mês. Empréstimos pessoais também têm juros 50% inferiores aos de bancos convencionais'', explica Caron. A prática de juros baixos pelo Sicoob é permitida pela estruturação do banco, extremamente enxuta, na opinião de Caron. ''Aqui em Curitiba somente seis funcionários mantêm o banco em funcionamento, mais o pessoal de captação de recursos.''
Os investidores do Sicoob também têm direito à participação nos lucros da cooperativa, vantagem citada por Ademar Batista Pereira, dono de uma escola particular de Curitiba, que adquiriu 2 mil cotas, com pretensão de expandir sua participação em breve. ''Além das taxas e juros menores, é um banco do qual podemos participar dos resultados'', conta.
Também dono de duas mil cotas do Sicoob e vice-presidente da cooperativa, César Luiz Gonçalves comemora, além dos juros baixos e participação nos lucros, a função social da entidade. ''Isso vai permitir a muitos empresários participar do mercado de forma competitiva, com dinheiro barato. Também é a retomada da cidadania para muitos desses empresários, pois eles podem participar das decisões, e não engolir pacotes prontos empurrados pelos bancos'', afirma.


