Curitiba tem a menor taxa de desemprego do Brasil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de julho de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As taxas de desemprego e informalidade em Curitiba foram as menores do Brasil, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). A pesquisa revela que 8,4% da população economicamente ativa de Curitiba e Região Metropolitana estavam desocupadas em maio de 2004, o que representa um universo de 113 mil pessoas. Se comparada ao mesmo período de 2003, a taxa caiu 17,5%.
Em maio, a média calculada de desemprego entre as regiões metropolitanas das principais capitais brasileiras foi de 12,2%. As maiores taxas foram em Salvador (16,2%), São Paulo (13,6%), Recife (13,3%), Belo Horizonte (10,9%), Porto Alegre (9,7%) e Rio de Janeiro (9,6%).
As atividades que mais empregaram em maio em comparação ao ano passado foram: construção civil (8%), comércio, reparação de veículos automotivos, de objetos pessoais e domésticos, comércio varejista de combustíveis (5,9%) e intermediação financeira e atividades imobiliárias (2,8%). Tiveram redução e queda na empregabilidade os setores: indústria extrativa e de transformação, produção e distribuição de eletricidade, gás e água (-1,3%), administração pública, defesa, seguro social, educação, saúde e serviços sociais (-2,1%), serviços domésticos (-1,2%) e outros serviços (-2%).
Outro ponto que chama a atenção é que Curitiba tem o menor índice de informalidade, empatada com Porto Alegre. As duas capitais têm 48% dos trabalhadores com carteira assinada e 18% na informalidade. Em Curitiba, outros 19,3% trabalham por conta própria e 6% são empregadores. Existem ainda trabalhadores não remunerados que são 2% do total.
Segundo a diretora do Centro Estadual de Estatísticas do Ipardes, Sachiko Araki Lira, contribuiu para reduzir a taxa de desemprego em Curitiba o desempenho positivo da agropecuária e da indústria em 2004. Também teriam contribuído os incentivos fiscais concedidos no Paraná para as microempresas.
O diretor-presidente do Ipardes, José Moraes Neto, destacou que os baixos índices de informalidade na Região Sul já fazem parte da tradição dos empregadores. ''Até por causa da estrutura de trabalho no Paraná e no Rio Grande do Sul. Os empregadores preferem ter os empregados formalizados. Nos demais Estados existe uma precarização do mercado de trabalho'', apontou. Já o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego, Ciro Cézar Barbosa, destacou que a escolarização também influencia os índices.
O rendimento médio real dos ocupados e empregados nos setores públicos e privados também cresceu na Grande Curitiba cerca de 3%. Em maio de 2003, o rendimento médio era de R$ 852,39 e em maio deste ano, fechou em R$ 877,80. ''O que explica este crescimento é que em Curitiba e Região Metropolitana, os empregadores respeitaram as convenções trabalhistas e deram reposições reais. Diferente de outros Estados'', diagnosticou Sachiko.


