Curitiba registra IPC negativo em junho
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segunda-feira, 07 de julho de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba Pela primeira vez em mais de dois anos, o Indíce de Preços ao Consumidor (IPC) registrado em Curitiba foi negativo. De acordo com dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), os preços dos serviços e produtos coletados em junho apresentaram uma queda de 0,11% em relação a maio. A queda dos preços da gasolina (-6,17%) e do álcool (-11,80%) foi a principal causa da deflação registrada no período.
Desde 1999, quando o Ipardes iniciou a pesquisa sobre a variação dos preços dos itens que mais afetam o orçamento das famílias que recebem até 40 salários mínimos, apenas em outras três ocasiões o IPC apresentou um índice negativo. Em fevereiro de 2001, os preços caíram -0,17%, a maior queda já registrada pelo Ipardes. Em setembro de 2000 (-0,07%) e agosto de 1999 (-0,12%), o IPC também constatou um índice negativo.
Para o técnico do projeto do IPC, Gino Schlesinger, a deflação foi surpreendente. ''Esperávamos uma queda em relação ao IPC de maio, que foi de 0,51%, mas não imaginávamos que o indíce ficasse negativo. Entretanto, os dados apontam que no próximo mês os preços devem voltar a subir, especialmente caso seja confirmado o reajuste das tarifas telefônicas'', afirmou Schlesinger.
O reajuste de 23% nas tarifas telefônicas autorizado pelo governo federal está suspenso devido a liminares concedidas pela Justiça Federal. Caso as liminares sejam derrubadas, o aumento médio no IPC apenas pela majoração dos preços deve ser de 0,21%. ''Julho é um mês em que as despesas nos orçamentos familiares tradicionalmente aumentam devido ao reajuste das tarifas públicas. Como o governo estadual suspendeu o reajuste da energia elétrica, esse impacto pode ser menor. Fica a dúvida em relação aos gastos com telefonia'', comentou Schlesinger.
Caso as tarifas não sejam reajustadas, a expectativa é que isso tenha uma influência no índice de inflação medida pelo Ipardes nos últimos 12 meses. Segundo o instituto, de junho de 2002 até o final de junho de 2003 a variação no IPC registrado em Curitiba já chega a 13,9%.


