Curitiba - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Brasil, chegou a 6,5%, atingindo o teto da meta prevista pelo governo federal para 2011, e a maior variação em sete anos. Desde 2004, quando o índice ficou em 7,6%, a inflação não tinha ultrapassado os 5,9%. Entre as 11 grandes regiões pesquisadas, Curitiba registrou o maior impacto, com variação de 7,1%, bem acima da média nacional. Brasília vem em seguida, com 7%, e em terceiro aparece Belo Horizonte (6,7%). As demais capitais ficaram na média nacional ou com variação inferior. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A menor taxa anual ocorreu em Belém, com 4,7%. Em 2010, a capital paraense tinha acumulado a maior inflação do País - 6,86%. Curitiba ficou em segundo lugar no ranking de 2010, com uma taxa de 6,7%, também acima da média do País, que ficou em 5,9%.
O resultado nacional chegou ao limite estipulado pela União porque a maioria dos grupos de produtos e serviços pesquisados apresentou variação maior que a do ano anterior. O grupo que mais subiu foi Transporte, passando de 2,41% para 6,05%. Foram 3,64 pontos percentuais a mais em 2011, principalmente porque os consumidores gastaram mais com itens importantes como passagens de ônibus urbano e passagens aéreas, além da alta no preço do etanol. Além disso, apesar dos preços de Alimentação e Bebidas terem crescido menos, passando de 10,39% em 2010, para 7,18% em 2011, o grupo acabou exercendo o maior impacto no ano, principalmente em relação ao item Alimentação fora do Domicílio, cujos valores subiram 10,49%. Entretanto, as maiores variações entre os grupos ocorreram nas Despesas Pessoais (8,61%), Vestuário (8,27%) e Educação (8,06%). Artigos de residência foi o único grupo que se manteve estável em relação a 2010.
Peso no bolso
Seguindo a tendência de alta, a Grande Curitiba registrou a maior variação no grupo Alimentos e Bebidas (8,96%) de todo o País no ano passado. Dentro deste segmento, os itens Hortaliças e Verduras (24,98%) e Alimentação fora do Domicílio (16,20%) registraram os maiores preços entre todas as regiões pesquisadas. Peso sentido no bolso de muitos consumidores, como Jussara Queiroz, cobradora de ônibus, em Curitiba. Ela poderia ir para casa almoçar todos os dias, mas acredita ser mais cômodo comer fora, mesmo que isso gere um custo a mais no orçamento. ''Gasto entre R$ 7,00 e R$ 9,00 por dia em refeição, e mais R$ 2,50 num suco ou garrafa de água. Não é barato, mas a comodidade compensa'', conta.
Outros dois grupos que influenciaram na alta expressiva da inflação em Curitiba foram Transporte (6,95%), principalmente no item Transporte Público (15,65%); e no grupo Habitação (7,99%), em relação ao item Aluguel e Taxas (10,92%). Jaqueline Deribelli, recepcionista do Hospital Nossa Senhora das Graças, na Capital, gasta R$ 70 por mês com ônibus, e acredita que a quantidade de veículos poderia ser maior porque a demora é grande nos pontos. ''O que mais incomoda é ficar esperando a linha por bastante tempo. Não tenho outra opção, vou para o trabalho e volto para casa sempre de ônibus, então tenho que pagar o que é cobrado, por mais que não seja barato'', disse.
A opinião é compartilhada pelo motorista Wagner Santos, que também gasta R$ 5 por dia nos ônibus de Curitiba. Ele demora 1h30 no percurso entre sua casa e o trabalho, e reclama que por R$ 2,50 o serviço de transporte da capital poderia ser bem melhor. ''Faltam ônibus e os horários não estão dando conta da quantidade de passageiros. O sistema poderia ser melhor operado ou a passagem ser mais barata'', destacou. O preço da passagem do ônibus urbano em Curitiba subiu no mês de março e do transporte intermunicipal teve uma alta em maio.
Taxa mensal
Em dezembro, o IPCA ficou em 0,50%, abaixo dos 0,52% de novembro. No mês, o grupo que apresentou a maior variação foi Alimentação e Bebidas (1,23%), seguida de Vestuário (0,80%) e Habitação (0,47%). Já Artigos de Residência teve queda de 0,87%. Entre as grandes regiões pesquisadas, a maior variação ficou em Salvador (0,98%). Em Curitiba o IPCA mensal ficou em 0,43%, maior do que o registrado em novembro (0,30%). Mas mesmo com a queda no último mês de 2011, o acumulado do ano foi o maior entre todas as regiões pesquisadas

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