Curitiba paga menos pela cesta básica
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segunda-feira, 01 de setembro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Após cinco meses de alta, a cesta básica de Curitiba fechou agosto com queda de 5,88%. Entre março e julho, os 13 produtos pesquisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) tiveram um aumento de 24,33%. Dez itens tiveram queda em agosto e apenas três ficaram mais caros. Os alimentos que puxaram a queda da cesta foram o tomate, que caiu 35%, a farinha de trigo (-8,70%), o açúcar (-7,38%), o leite (-5,58%) e o arroz (-5,33%). A carne que representa 36,74% do custo da cesta também teve queda no preço e ficou 1,31% mais barata na mesa dos curitibanos.
O economista do Dieese, Sandro Silva, lembrou que o tomate já tinha subido 162,77% entre março e julho. O preço do produto caiu nas 16 capitais pesquisadas. O item está em início de safra e os produtores aumentaram a produção porque o preço estava em alta. Hoje, a maior parte do tomate que abastece o Paraná vem de Minas Gerais e São Paulo. Em fevereiro, o quilo deste alimento custava R$ 1,37, em julho passou para R$ 3,60 e, em agosto, era vendido por R$ 2,34.
A farinha de trigo caiu em 14 das 16 capitais pesquisadas. Curitiba teve a maior queda. O produto ficou mais barato com a entrada da safra e a redução de impostos que o governo federal anunciou há pouco mais de um mês para o trigo.
O açúcar tinha subido 19,6% entre maio e julho e agora voltou a cair. Em abril o quilo do produto era vendido a R$ 1,02, em julho passou para R$ 1,22 e, em agosto, custava R$ 1,13. O leite teve reajuste de 15,1% entre fevereiro a julho. Com o aumento da oferta do produto devido ao final do inverno, os preços começam a cair.
O arroz registrou queda em 11 capitais das 16 pesquisadas. Entre março e julho, o produto subiu 45%. Ainda tiveram queda a batata (-3,89%), o café (-3,84%), o feijão (-2,83%) e o óleo de soja (-2,49%). Apenas três itens ficaram mais caros: banana (3,51%), manteiga (2,08%) e pão (0,55%).
No ano, a cesta acumula uma alta de 22,81% e nos últimos 12 meses de 31,93%. Em agosto o custo dos 13 produtos para uma família formada por um casal e duas crianças foi de R$ 689,79. Em agosto, a cesta consumia 55,40% do salário mínimo. No mês passado, Curitiba teve a quarta cesta mais cara só perdendo para Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte. No ano, a Capital paranaense ficou com o maior aumento da cesta e, nos últimos 12 meses, atingiu a segunda maior alta, só perdendo para Goiânia.
Silva lembrou que a inflação já demonstrou desaceleração inclusive nos alimentos, o que deve ter continuidade. Ele criticou o alta de juros praticada pelo Banco Central desde abril e acredita que esta medida não vai fazer os preços dos alimentos caírem. ''Aumentar os juros para tentar segurar a inflação é um instrumento equivocado. Desestimula o consumo, torna mais caro o crédito, reduz os investimentos, diminui o emprego e a renda além de aumentar o custo da dívida interna do País'', disse. Ele acredita que, em setembro, a cesta continue em queda.


