Curitiba - Os recursos que estavam nos fundos de investimentos não migraram para os setores de bens duráveis em Curitiba. Ao contrário de anos anteriores, quando os investidores sentiam insegurança no mercado financeiro e direcionavam as aplicações para os setores imobiliários e de veículos, isso não vem acontecendo na Capital.
Para o professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adilson Antonio Volpi, os recursos estão ficando no sistema financeiro mesmo. Parte dos investidores optou por ficar onde está, para recuperar as perdas mais à frente. Quem retirou seus depósitos, migrou para a compra de papéis como CDBs, para quem tem perfil mais conservador, ou ações, para quem tem perfil mais ousado. Comenta-se em retiradas acima de R$ 4,3 bilhões na semana passada.
O mercado imobiliário ainda não sentiu o impacto da possibilidade de estar recebendo a migração desses recursos, diz o presidente do Secovi-Pr (Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis), Luiz Antonio Cossio. Segundo ele, neste primeiro momento não houve uma reação significativa no aumento das vendas de imóveis. ‘‘É possível que isso aconteça, mas primeiro o investidor inicia um período de conhecimento e pesquisa de mercado, que ainda não está acontecendo’’, afirma.
Segundo Volpi, o investidor do mercado imobiliário procura imóveis de boa rentabilidade, como aqueles com boa localização, que podem ser locados comercialmente ou os investimentos imobilários através de condomínios na compra de shoppings, flats e outros empreendimentos. ‘‘Esses investidores já vêm aplicando normalmente seus recursos em áreas com potencial para crescimento da infra-estrutura urbana’’, destaca.
Também no mercado automotivo não houve um aquecimento. ‘‘Já está longe o tempo que automóvel era considerado commoditie e relacionado a bem de investimento’’, diz o presidente da Federação Nacional dos Revendedores de Automóveis (Fenabrave-PR), Daniel Russi Filho.

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