Curitiba - Uma pesquisa realizada pela Fecomércio-SP mostrou que Curitiba é a capital com maior percentual de famílias endividadas do País, chegando a 88%. A capital paranaense está no topo do ranking, seguida de Florianópolis (82%), Maceió (77%), Palmas (75%) e Cuiabá (75%).
Em Curitiba, o valor médio de dívida por família é de R$ 2.164. Também é a quarta cidade no ranking nacional em número absoluto de famílias endividadas (518.603).
O estudo mostrou ainda que o nível de famílias endividadas na média das capitais brasileiras caiu de 62% em 2011 para 59% em 2012, recuando para a mesma faixa de 2010.
No entanto, segundo a pesquisa, o valor total das dívidas das famílias registrou aumento real de R$ 346 milhões, passando de R$ 15,9 bilhões em 2011 para R$ 16,2 bilhões em 2012. De acordo com o levantamento, o valor das dívidas aumentou devido à elevação do volume de empréstimos concedidos em 2012. Com isso, o valor médio real da dívida mensal das famílias também avançou de R$ 1.812 para R$ 1.950, o que representa uma alta de 7,6%.
O estudo apontou ainda que Florianópolis lidera o ranking do valor médio de dívida por família, com R$ 2.505. Na sequência aparecem Porto Alegre (R$ 2.504), Vitória (R$ 2.499), Belo Horizonte (R$ 2.476) e Recife (R$ 2.174).
O assessor técnico da Fecomércio-SP Guilherme Dietze explicou que Curitiba aparece no topo com maior percentual de famílias endividadas porque a renda salarial na cidade é elevada, o que leva as pessoas a acumularem mais dívidas.
Segundo ele, a pesquisa considerou o endividamento das famílias com cartão de crédito, carnês, crédito pessoal, cheque especial e crédito consignado. Dietze explicou que a diminuição do nível de famílias endividadas de 62% para 59% entre 2011 e 2012 pode ser explicada porque muitas famílias conseguiram pagar dívidas mais caras no último ano.
O levantamento da cesta básica realizado pelo Dieese-PR, mostra que o endividamento não vem de gastos com alimentação. Em junho, a cesta de Curitiba foi a oitava mais cara entre 18 capitais pesquisadas. E nos últimos 12 meses, a cesta da capital paranaense teve a menor variação do País, com aumento de 12,40%. O economista do Dieese, Fabiano Silva, disse que o endividamento ocorreu porque houve um esgotamento do modelo brasileiro voltado ao consumo. Para ele, talvez o endividamento não esteja em patamar tão alto como o apontado pela pesquisa porque ainda há espaço para a concessão de crédito para a camada da população que está na informalidade ou desempregada.
Para o assessor da Fecomércio Guilherme Dietze, o endividamento está no nível atual devido à facilidade de crédito que foi oferecida à população e às desonerações de impostos do governo federal para a linha branca e veículos. Dietze acredita que o endividamento não deve aumentar enquanto o desemprego estiver em um patamar baixo no País. "O emprego é o garantidor da renda para controlar o orçamento doméstico", disse. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Curitiba lidera entre as capitais com mais famílias endividadas do País
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