Rio - As regiões metropolitanas de Curitiba e Rio de Janeiro já acumulam aumentos de preços superiores a 10% nos 12 meses até julho, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), anunciado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outras quatro regiões sustentam avanços acima de 9% no período, enquanto a inflação média do País neste horizonte está em 9,25% - a mais elevada desde dezembro de 2003.
A região metropolitana de Curitiba foi a primeira a ultrapassar a barreira de dois dígitos, já no IPCA de junho, divulgado no início deste mês. Com o resultado da prévia da inflação oficial anunciado ontem, a inflação da região avançou um pouco mais e está agora com alta de 10,73% nos 12 meses até julho.
Os dados das tabelas do IBGE mostram que os aumentos de tarifas de ônibus e energia foram muito mais salgados na região metropolitana de capital no último ano, o que contribui para que ela esteja na liderança das 11 regiões investigadas no IPCA-15.
A novidade agora é a inflação do Rio, que atingiu 10,04% nos 12 meses até julho, apontou ontem o IBGE. A região metropolitana responde por 12,46% do índice nacional, atrás apenas de São Paulo, cujo peso corresponde a quase um terço do IPCA-15.
Outras quatro regiões sustentam inflação acima de 9% nos 12 meses até julho, segundo o IBGE: Porto Alegre (9,76%), São Paulo (9,43%), Goiânia (9,65%) e Belém (9,15%). Cinco regiões mantêm inflação abaixo da média nacional: Recife (8,57%), Salvador (8,15%), Belo Horizonte (7,86%), Fortaleza (8,89%) e Brasília (8,07%).

Curitiba e Rio acumulam inflação acima de 10%
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BRASIL

No País, nesse período de 12 meses, a inflação foi afetada primeiro por preços administrados pelo governo, como a energia elétrica e combustíveis. Depois houve o impacto dos alimentos e jogos de azar. A energia elétrica teve um avanço de 59,38% nos últimos 12 meses até julho. Já o grupo de alimentação e bebidas teve alta de 10,03% nesse mesmo período.
Com tanta pressão, a inflação está acima do teto da meta do governo, de 6,5% ao ano - o centro da meta é de 4,5%. O IPCA-15 tem a mesma metodologia do IPCA, índice oficial de inflação. Só que no IPCA-15 o período de coleta se encerra ao redor do dia 15 do mês.
Quando considerado apenas o mês de julho, a prévia da inflação oficial brasileira foi de 0,59%, desacelerando na comparação a junho (0,99%) deste ano.
Por trás da desaceleração estão os preços que foram vilões da inflação nos últimos meses e que começaram a dar uma trégua, com a maior parte dos reajustes ficando para trás. Dos nove grupos acompanhados pelo IBGE, somente habitação (1,15%) e comunicação (0,59) tiveram aceleração na passagem de junho para julho. Entre os que desaceleraram está o grupo das despesas pessoais, que passou de 1,79% em junho para 0,83% em julho, segundo informou o IBGE ontem. Dentro desse grupo estão jogos de azar. Com o reajuste da Caixa Econômica Federal, os jogos lotéricos ficaram 7,06% mais caros em julho, desacelerando frente a junho (37,77%).
Apesar da alta menor do que o mês anterior, a inflação registrada em julho é considerada relativamente alta para os padrões históricos do mês. O índice é maior que o de julho de 2014 (0,17%) e o maior para o mês desde 2008 (0,63%). Os alimentos têm sido o principal responsável por isso. O grupo desacelerou de junho (1,21%) para julho (0,64%). Mas, em julho de 2014, o grupo tinha apresentado deflação (queda de preço) de 0,15%. Em julho, o grupo de alimentos deu a segunda maior contribuição para o avanço do IPCA-15, com impacto de 0,16 pontos percentuais.

Projeção

Os economistas consultados pelo boletim Focus, do Banco Central, avaliam que a inflação medida pelo IPCA vai encerrar o ano em 9,15%. Com a passagem dos reajustes, menor ritmo da economia e aumento dos juros pelo Banco Central, a expectativa é que a inflação desacelera para 5,40% no ano que vem. Para conter a inflação, o mercado espera que o BC eleve mais a taxa básica de juros (Selic) ao longo deste ano, para 14,50%. A Selic está atualmente em 13,75%.

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