Curitiba e Campos Gerais detêm 80% dos novos empreendimentos
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quinta-feira, 09 de fevereiro de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Por meio do Paraná Competitivo, programa que concede benefícios fiscais à iniciativa privada, o governo Beto Richa (PSDB) afirma ter conseguido R$ 9 bilhões em novos investimentos ou em expansões de empreendimentos já existentes no Estado. Outros R$ 15 bilhões estão em negociação, segundo o governo.
Da relação de 16 empresas divulgada como beneficiadas pela Secretaria da Indústria, Comércio e Assuntos para o Mercosul (Seim), sete ficam na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), seis nos Campos Gerais (região de Ponta Grossa), uma na região Central (Guarapuava), uma no litoral (Pontal do Paraná) e uma no Norte (Maringá) (ver quadro).
O Paraná Competitivo se diferencia da política de incentivo do governo anterior em alguns aspectos. Antes, a dilação do ICMS permitida variava de acordo com o tamanho do município - de 50% a 90%. A Região Metropolitana de Curitiba (RMC), por ser considerada já industrializada, não podia gozar deste benefício.
No modelo atual, a dilação do imposto vai de 10% a 90% e vale inclusive para a RMC. A porcentagem passou a ser definida por um Comitê Decisório, composto por representantes das secretarias estaduais da Fazenda (Sefa), do Planejamento (SEPL) e da Seim.
O prazo da dilação, antes, era de 4 anos, com outros 4 anos para pagamento. Hoje é de 2 a 8 anos de dilação e o mesmo período para pagamento. As empresas também podem gozar, pelo mesmo período, da dilação de 100% do ICMS sobre a energia elétrica.
O Paraná Competitivo vem se mostrando uma ferramenta importante para trazer novos empreendimentos e incentivar a iniciativa privada no Paraná, mas os frutos gerados por ele têm se concentrado na RMC e nos Campos Gerais. Segundo o governador Beto Richa, isso acontece porque os empresários preferem se instalar mais perto do Porto de Paranaguá.
O presidente da Agência de Desenvolvimento Terra Roxa, Fernando Kireeff, concorda. E diz que esse não é um problema exclusivo do Paraná. ''Os empreendimentos que estão chegando ao Brasil estão se concentrando nesta franja de até 200 quilômetros do litoral. Podemos dar exemplo de Ponta Grossa, no Paraná, e Piracicaba e Sorocaba, em São Paulo'', afirma.
De acordo com ele, o interior paulista tem enfrentado o mesmo desafio que o Norte do Paraná. Questionado sobre Minas Gerais, um estado que se industrializa apesar de distante do mar, Kireeff acredita tratar-se de um caso isolado. ''A atividade de extração de minério gera um conjunto de indústrias ao seu redor'', ressalta.
Segundo o presidente da Terra Roxa, a saída para a região de Londrina, é buscar investimentos com 'diferenciais competitivos'. ''Precisamos de indústrias de produtos de alto valor agregado, que não dependam do porto ou que o custo do frete até o porto tenha relevância menor'', declara. Por isso, acrescenta, a região precisa de mão de obra qualificada. ''Esta é a razão de brigarmos tanto por novos cursos de engenharia'', afirma Kireeff.



