Curitiba foi a única capital do País a fechar com inflação acima dos 12% em 2015, quase 2 pontos percentuais acima da média nacional, que já foi a maior em 13 anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a maior cidade paranaense ficou em 12,58%, conforme divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A segunda colocada, Fortaleza, registrou 11,43%, e o País, 10,67%.
Além do custo da alimentação, os reajustes de preços administrados pelo governo, como tarifa de energia elétrica e combustíveis, foram os principais vilões nacionalmente. A diferença no Paraná, além da segunda maior alta nos preços de eletricidade, foi o impacto do reajuste de 50% nas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre mais de 90 mil produtos, desde 1º de abril do ano passado, segundo o IBGE.
Somente no mês passado, a inflação foi de 1,14% na capital paranaense e de 0,96% no País. Assim, a média nacional de 10,67% foi a maior taxa anual desde os 12,53% de 2002. Os três grupos que puxaram o indicador para cima foram Habitação (18,31%), Alimentação e Bebidas (12,03%) e Transportes (10,16%).
Destaca-se em Habitação a energia elétrica, cuja alta foi de 69,22% em Curitiba e de 51,00% no País e que também contribuiu para o aumento na tarifa de água e esgoto. Em Transportes, a gasolina teve o preço elevado em 21,63% no Paraná e em 20,10% no País, enquanto o do etanol subiu 33,75% e 29,63%, respectivamente.
Na alimentação, o índice para produtos consumidos dentro de casa puxou a alta, com 16,36% no Paraná e 12,92% no Brasil. Individualmente, os produtos que vão à mesa dos brasileiros com maiores altas foram a cebola (60,61%), o alho (53,66%), o tomate (47,45%), a batata-inglesa (34,18%), o feijão-mulatinho (33,02%) e o feijão-carioca (30,38%).
Para o economista Fabiano Camargo da Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento do ICMS e da energia elétrica no Paraná fizeram a diferença na alta de preços regional. "O aumento no imposto sobre mais de 90 mil itens gera perda do poder aquisitivo e pressiona ainda mais a população, em um cenário nacional que já não era favorável pela própria inflação e pelo aumento do desemprego", diz.

DÓLAR
Diretor executivo do Instituto Datacenso em Curitiba, Claudio Shimoyama lembra que o maior peso foi sobre reajustes de preços controlados pelo governo. "Mas era algo que o governo precisava fazer para corrigir os valores, depois de ter segurado os reajustes em 2014 por uma questão política", diz. Ele lembra ainda que a disparada da cotação do dólar encareceu o custo de insumos importados, o que pesa sobre alimentos, entre outros.
Como reflexo, Shimoyama acredita que há maior peso sobre o desemprego em Curitiba do que em outras regiões do País ou mesmo do Estado. "A região metropolitana da Capital tem mais indústrias de metalmecânica e metalúrgica, enquanto o Interior tem mais agronegócio. E o aumento da inflação maior gera um consumo menor, o que também prejudica o emprego no comércio", conta.
O economista do Dieese ressalta que pessoas de menor renda são as mais atingidas. "Tanto que o INPC fechou ainda mais alto, com 13,81% em Curitiba, o que acaba comprometendo o custo de vida dos mais pobres", diz. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos e o IPCA, até 40 pisos.

Imagem ilustrativa da imagem Curitiba é a capital com maior inflação



Continue lendo:
- Cesta básica sobe em todas as capitais

mockup