Curitiba abre ação contra desemprego
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Curitiba 
O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, recebeu ontem em Brasília, do presidente Fernando
Henrique Cardoso, a aprovação definitiva para implantar o Linhão do Emprego, com a liberação de um financiamento de R$ 35 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No total, o projeto envolve recursos da ordem de R$ 100 milhões. O Linhão do Emprego, além de criar uma estrutura para gerar até 30 mil empregos, promove a urbanização de 15 áreas na periferia de Curitiba, onde moram 358 mil pessoas, das quais 28 mil desempregados, explicou o prefeito.
O contrato de liberação de recursos para o Linhão do Emprego foi assinado em solenidade no Palácio do Planalto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito Cassio Taniguchi, o ministro do Planejamento Antonio Kandir, o ministro do Trabalho Paulo Paiva, o presidente do BNDES, Luis Carlos Mendonça de Barros, e o diretor do BNDES Paulo Hartung.
O projeto de Curitiba é a primeira resposta do governo federal para o combate ao desemprego, depois da reunião da última sexta-feira, quando FHC reuniu seus ministros para discutir o assunto. Em razão disso, o gabinete da Presidência da República decidiu transferir do Rio de Janeiro para Brasília a assinatura do contrato de financiamento.
Em seu discurso, o presidente disse que o projeto é um exemplo de integração entre o governo federal e a Prefeitura de Curitiba. Vamos ter que multiplicar a integração entre os governos e dar mais eficiência aos projetos, fazendo com que as linhas de crédito cheguem a quem delas precisa , disse Fernando Henrique durante a cerimônia. Projetos como esse de geração de empregos, que está sendo aplicado em Curitiba, também vão acontecer em outras cidades, disse FHC.
Segundo o presidente da BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, o Linhão do Emprego se transformou em referência para os novos financiamentos do banco. É um modelo concreto para o País. As demandas dos municípios por projetos de geração de empregos estão tendo o Linhão como referência porque este é um projeto integrado de geração de empregos nas comunidades carentes. O projeto não atua isoladamente, agrega geração de empregos com infra-estrutura urbana, afirmou.
Mendonça considerou o financiamento uma importante medida para reforçar o caráter social do banco. Desde o início do ano, o BNDES decidiu priorizar financiamentos de alcance social, deixando para segundo plano investimentos em grandes empreendimentos.
Ao longo da avenida do Linhão, serão construídos 10 pólos de emprego, que terão uma estrutura total de 10 barracões comunitários, oito Vilas de Ofício e seis Liceus do Ofício. O primeiro barracão já está em construção no Bairro Novo e fica pronto em setembro. Cada um dos oito prédios das Vilas de Ofício terá 786 metros quadrados de área útil, abrigando 18 unidades que servirão de residência e local de trabalho para o microempresário.
A seleção dos ocupantes está sendo feita pela Fundação de Ação Social (FAS), da Prefeitura, e pela Cohab. Já existem 100 pessoas cadastradas para o Treinamento de Empreendedores. O curso vai funcionar como uma primeira seleção para os micros e pequenos empresários que desejarem se instalar nos Barracões Empresariais.
A estrutura dos Pólos de Emprego permitirá a formação e qualificação de trabalhadores, por meio dos Liceus de Ofício, orientação empresarial, apoio ao desenvolvimento de atividades (oficinas de artes gráficas, vidros, marcenaria) e de apoio à venda dos produtos fabricados no local. O objetivo é proporcionar à população uma rede de assistência que permita a inserção no mercado, com consequente geração de renda própria.
Estrutura dos pólos O suporte físico dos pólos de emprego será dado pelos barracões, vilas e liceus. Cada barracão comunitário terá 980 metros quadrados, divididos em módulos de 72 metros quadrados, onde serão instaladas micros e pequenas empresas. Serão incubadoras de preparação dos empresários e de desenvolvimento de produtos com níveis de qualidade exigidos pelo mercado, disse Cassio Taniguchi. O prazo de permanência de cada empresário no barracão é de dois anos, tempo de capacitação para entrada no mercado.
Uma linha de crédito no valor de R$ 5 milhões, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), dará apoio financeiro aos micros e pequenos empresários que se instalarem nos barracões. O Banco da Mulher, da Associação Comercial do Paraná, também disponibilizará recursos para as empreendedoras.


