O vigésimo encontro de presidentes do Mercosul, depois de dez anos de integração comercial, deverá cumprir uma mera formalidade, a de passar a presidência pró-tempore do bloco do Paraguai para o Uruguai. Os representantes dos quatro países chegam à reunião de Assunção, hoje, mais preocupados em salvar as economias nacionais da crise na região do que com disposição para comprometerem-se com o aprofundamento da integração.
Para o Brasil, porém, houve um avanço nos últimos dias: convenceu a Argentina a desistir de transformar o bloco em uma simples zona de livre comércio.
Na reunião de presidentes e ministros de Assunção, que termina amanhã, Brasil e Argentina terão de encontrar uma solução para diminuir os efeitos da desvalorização do real e do peso, para operações comercias, sobre as economias do Paraguai e o Uruguai. Esta semana, a União Industrial do Paraguai sugeriu ao governo que o país saísse do bloco, caso não fossem oferecidas compensações. Para diminuir o impacto em sua balança comercial, o Uruguai anunciou que vai desvalorizar sua moeda em 1,6% por mês e aumentar a banda de flutuação de 0,6% para 3%.
De acordo com uma fonte do governo brasileiro, o único avanço que o bloco deverá anunciar depois do encontro será a criação do grupo especial para revisar a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. Mesmo assim, não deverá haver data marcada para a conclusão do trabalho. Para o Brasil, isso significa aprofundar a integração econômica, dando consistência ao bloco no cenário internacional. Mas não há consenso no governo sobre qual a proteção ideal que deverá ser mantida à indústria brasileira nos próximos anos. - Para Paraguai e Uruguai, significa continuar tendo acesso privilegiado aos mercados brasileiro e argentino, mas com a chance de poder baixar as tarifas de importação e, com isso, comprar produtos mais baratos em terceiros mercados.
A Argentina quer baixar o imposto de importação para produtos de base para a indústria nacional, como caminhões, tratores, máquinas agrícolas, bens de informática e de telecomunicações. Mas o país quer adiar a revisão da TEC para bens de consumo.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, participa do encontro e deverá apresentar formalmente o pedido para que possa ser membro associado do bloco, mesmo status que possuem Chile e Bolívia. O presidente desses dois países também estarão na reunião. Com o Chile, o bloco deverá retormar as discussões sobre o acordo de comércio com tarifas reduzidas, congelado desde que os chilenos começaram a negociar com os Estados Unidos, no fim do ano passado.

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