Cúpula do Mercosul apóia Argentina
Presidentes pedem a bancos internacionais que ajudem a economia argentina e transijam nas condições de empréstimos. Ontem houve novos protestos populares pela liberação de dólares
Buenos Aires
Oscar Laski
France Presse
- Os presidentes do Mercosul reunidos esta ontem em Buenos Aires, deram o esperado apoio à Argentina, que enfrenta a pior crise econômica de sua história, mas apenas avançaram na criação de um tribunal de controvérsias como acordo concreto do bloco.
A Argentina recebeu em casa o apoio dos outros cinco países sócios do esquema sul-americano (Brasil, Paraguai, Uruguai, e Bolívia e Chile como associados externos), que pediram aos organismos internacionais que compreendam a complexa situação argentina.
Em uma declaração de dois parágrafos, os presidentes dos cinco países visitantes pediram também que os institutos de crédito avaliem que a assistência financeira que a Argentina precisa está vinculada a políticas internas que permitirão o crescimento econômico, única forma de tornar as mesmas sustentáveis.
O apoio à Argentina, também contido na declaração final da cúpula extraordinária, foi reforçado depois pelos mandatários na coletiva à imprensa final da reunião celebrada na quinta oficial de Olivos (zona norte da capital argentina).
O presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, afirmou que estão dadas as condições para que os organismos financeiros dêem uma ajuda eficaz a Argentina porque, disse, o esforço deste país já está em marcha.
Não concordamos em que primeiro a Argentina deva se esforçar e depois receber ajuda, frisou Fernando Henrique na coletiva à imprensa no final da reunião em Olivos, onde chegou na noite de domingo.
O presidente de Brasil, na liderança da maior econcomia latino-americana, destacou: Fiquei muito impressionado com o que foi feito com as províncias, em referência direta a uma das exigências centrais do Fundo Monetário Internacional (FMI), que exige um novo reajuste de gastos nos empobrecidos distritos antes de dar assistência à Argentina.
Uma menção semelhante foi feita na coletiva pelo presidente boliviano Jorge Quiroga, destacando que a ação de ajuste nas províncias (argentinas) é desconhecida pela comunidde internacional.
Quiroga, em nome de seus colegas andinos, somou o apoil adicional da Comunidade Andina de Nações (CAN) que expressou a plena solidaridade com a argentina e seu total apoio ao governo constitucional de Eduardo Duhalde, como destacou a declaração final do encontro.
Os sócios da Argentina buscam o equilíbrio entre o apoio concreto a um aliado e a necessidade de se diferenciar ante os organismos financeiros e os investidores estrangeiros.
A Argentina precisa de uma ajuda financeira de 23 bilhões de dólares, segundo fontes oficiais, para superar 44 meses de recessão, diminuir o índice recorde de desemprego de 22% e aliviar a pobreza que afeta 14 milhões de pessoas, sobre 36 milhões no total.
Além do apoio à Argentina, que centrou as breves deliberações da cúpula, o bloco somente decidiu a formação de um tribunal para a solução das controvérsias, uma iniciativa adiada por anos, mas adiou mais uma vez a criação de um Instituto Monetário do Mercosul - como semente da futura moeda única do esquema sul-americano - e um novo acordo automotor.
O documento de 16 pontos também se pronunciou pelo avanço das negociações entre a União Européia (UE) e o Mercosul para acordos de livre comércio, e pediu que na próxima cúpula entre os dois blocos aconteçam resultados concretos que fortaleçam as relações entre as duas regiões.
Os chefes de Estado do Mercosul reiteraram com ênfase seu interesse em concluir antes do segundo semestre de 2002 as negociações entre o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (CAN) para la conformación de una zona de libre comercio.





