Cúpula discute prejuízos climáticos
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quarta-feira, 15 de novembro de 2006
France Presse 
Nairóibi - As ameaças climáticas podem custar até US$ 1 trilhão por ano a partir de 2040 e mesmo antes, levando-se em conta o total das perdas econômicas que estarão causando. A estimativa faz parte de um estudo apresentado ontem durante a 12 Conferência Internacional sobre o Clima, que está sendo realizada em Nairóbi, Quênia.
Diante da amplitude previsível dos estragos, os especialistas da ONU fizeram um apelo, na capital queniana, para a criação de meios destinados a garantir proteção às nações mais pobres, num momento em que as políticas de segurança estão voltadas, sobretudo, para os países desenvolvidos.
''Daqui a 30 anos, o custo das mudanças climáticas e os riscos ligados às secas, inundações, furacões, poderão superar US$ 1 trilhão por ano'', segundo Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUE, em francês), apresentando um estudo realizado pela agência Anglug Consulting com o PNUE e dezenas de instituições internacionais, financeiras, bancárias e de seguros.
''Cada grau centígrado complementar pode elevar os custos em US$ 2 trilhões para a economia mundial'', alertou Tomas Loster da Fundação Munich Re, gigante alemã do setor de seguros. ''Trata-se do pior cenário possível, um entre outros, mas baseado em fatos e tendências destes últimos anos'', afirmou, explicando que as estimativas anteriores de sua fundação aumentaram em 2002 em US$ 150 bilhões.
No ano passado, segundo Loster, as perdas econômicas com desastres naturais chegaram a US$ 210 bilhões. Em 2006, o furacão Kaemi que atingiu a China em julho teve prejuízos avaliados em US$ 9 bilhões; o ciclone Shanshan, no Japão, registrou US$ 2,5 bilhões e os tornados de março nos Estados Unidos, US$ 1,5 bilhão.
Ante a estas perspectivas, os representantes da Munich Re e do PNUE pediram aos delegados presentes na conferência que ''considerem muito seriamente a questão do financiamento'' dos prejuízos causados por mudanças climáticas.
Achim Steiner citou uma iniciativa do PNUE na Etiópia em parceria com a companhia de seguros francesa Axa, o Banco Mundial e o governo americano, destinada de março a outubro a garantir os agricultores e pecuaristas contra a seca ''antes de ela tirar todos os seus bens''.
Steiner mencionou também a parceria entre as instituições de microcrédito da Índia e a companhia suíça de seguros Swiss Re, em prol dos camponeses de Andhra Pradesh, fazendo um apelo às instituições financeiras, às companhias de seguros e de ressseguros, ''ligadas à gestão de riscos'', para que façam uso de sua criatividade em benefício das populações dos países em desenvolvimento.


