Madri - A Cúpula Mercosul-União Européia, encerrada ontem em Madri, resultou em apenas duas novidades concretas: o anúncio de uma nova reunião ministerial, em Brasília, no mês de julho, e o de um acordo para reduzir a burocracia que atrapalha o comércio entre os dois blocos.
Os presidentes e chefes de Estado do Mercosul e União Européia decidiram ‘‘relançar’’ as negociações comerciais a partir do segundo semestre com a participação de ministros de Comércio e Relações Internacionais, na reunião de Brasília. ‘‘Em julho, vai começar uma rodada importante de negociações’’, disse o primeiro-ministro espanhol e presidente europeu, José Maria Aznar. Na entrevista concedida à imprensa ao final da reunião de cúpula, Aznar afirmou que existe uma disposição muito clara da União Européia para reiniciar as negociações e chegar a um acordo o mais rápido possível.
Aznar fez questão ainda de mencionar o acordo assinado com o Chile como estímulo para atingir as metas que o Mercosul e Europa buscam, sem sucesso, há mais de dois anos. O Chile, disse Aznar, ‘‘é um estímulo para o futuro acordo, assim como foi o México (acordo) para finalizar os entendimentos com o governo chileno’’. O presidente Fernando Henrique Cardoso disse estar seguro de que as negociações entre os dois blocos vão avançar, como no caso do Chile. O presidente reafirmou ‘‘a sua crença na aproximação regional’’.
Já o comunicado conjunto dos chefes de Estado da América Latina, Caribe e União Européia, rejeitou drasticamente as medidas de caráter unilateral e os efeitos extraterritoriais que, nos últimos meses, levaram a um retrocesso no comércio multilateral e à intensificação do protecionismo.
‘‘Sabemos que existem certos setores econômicos que pressionam seus governos para adotar medidas unilaterais com objetivo de atender demandas internas’’, disse FHC ao encerrar o encontro de cúpula América Latina/Caribe/União Européia. Mas acrescentou o presidente, ‘‘é necessário fazer um contraponto a isso’’.
O ‘‘Plano de Ação para Facilitação de Negócios’’ acertado entre a UE e o Mercosul prevê medidas nas áreas sanitárias e fitossanitária, padronizações, regulamentações técnicas e avaliação de conformidade, aduanas e comércio eletrônico. ‘‘O objetivo é o de aumentar os fluxos de comércio entre os dois lados e eliminar potenciais barreiras técnicas aos negócios’’, disse à Agência Estado o porta-voz da Comissão Européia, Anthony Gooch. ‘‘A implementação desse plano e ficará sob revisão permanente’’.

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