Cúpula das Américas começa em Quebec
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quinta-feira, 19 de abril de 2001
Agência EstadoDe Quebec 
O Canadá, anfitrião da 3ª Cúpula das Américas, que será aberta hoje em Quebec, é um dos participantes da negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) mais interessados em levar o processo às últimas consequências. O país tem uma forte e agressiva tradição de negociação comercial (vide caso Embraer/Bombardier), seus economistas dominam a Unidade de Comércio da Organização dos Estados Americanos (OEA) e durante seu período como presidente das negociações da Alca procurou imprimir ritmo ao processo.
Pesquisas de opinião pública no Canadá mostram que a maior parte da população canadense é a favor do livre comércio e sucessivos governos do país abraçaram a bandeira da liberalização comercial há mais de uma década. Mas nem sempre foi assim. No fim dos anos 80, o país se viu dividido por um debate sobre os méritos de um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. A Área de Livre Comércio (FTA) entre o Canadá e os EUA começou a ser negociada em 1987, e foi implementada em 1989.
Para muitos analistas, o fato de que o FTA e o Nafta não levaram ao aniquilamento da identidade e do aparato social canadenses é uma das razões pelas quais a maioria da população hoje tem uma posição simpática à liberalização e à globalização.
Em termos econômicos, os efeitos do Nafta foram positivos para o Canadá, segundo análises feitas sobre o assunto. As exportações para os EUA, que representavam 23% do PIB canadense em 1988, hoje são responsáveis por 40%. E 70% a 80% das importações do país vêm dos EUA.
Brasil em alta A iniciativa do primeiro-ministro do Canadá, Jean Chrétien, de ter seu primeiro encontro na Cúpula das Américas, ontem à noite, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, e os gestos de aproximação com o líder brasileiro que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez depois da conversa que tiveram no fim do mês passado na Casa Branca, foram motivados por fatos que pouco têm diretamente a ver com a terceira reunião dos líderes da Américas, que se instala em Quebec hoje à noite. Mas, segundo diplomatas brasileiros, canadenses e americanos, eles refletem a preocupação de Ottawa e Washington em assegurar uma participação positiva do Brasil na reunião de Quebec.
A demonstração de cortesia de Chrétien com FHC foi parte de um esforço do governo do Canadá de consertar as relações com o Brasil, que ficaram seriamente danificadas pelas disputas entre a Bombardier e a Embraer e a proibição temporária da importação de carne brasileira, em fevereiro passado.
Mas as atenções de Chrétien e de Bush com o presidente brasileiro serviram também para sublinhar o reconhecimento do novo peso que o Brasil adquiriu em anos recentes em questões hemisféricas e internacionais. A decisão dos EUA de abandonar a tese da aceleração da Alca, depois que o Brasil manifestou-se pronto a bloqueá-la, sozinho se necessário, foi tomada pelo Itamaraty como uma confirmação disso. Eles (na Casa Branca) poderiam perfeitamente ter estragado a visita do presidente a Washington por causa da falta de um entendimento entre os dois países sobre o cronograma da Alca, que era um tema prioritário para eles, disse um diplomata.


