Cúpula condena embargo contra Cuba
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terça-feira, 12 de novembro de 1996
Gustavo Paul, Agencia Estado 
VI¥A DEL MAR, Chile - Os 21 países ibero-americanos mantiveram ontem seu repúdio à lei Helms-Burton, que pune empresas que comercializarem com Cuba, e reafirmaram seu compromisso com os ideais da democracia, o pluralismo político, o respeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais. Esses são os principais termos da Declaração de Vi¤a del Mar, assinada na tarde de ontem, na cidade de mesmo nome, no Chile, encerrando a 6ª Cúpula Ibero-americana. Esse foi o primeiro documento político produzido pela Cúpula, que se reúne todos os anos desde 1991.
A declaração contra a lei Helms-Burton é contundente. Expressamos nossa oposição mais enérgica à aprovação pelos Estados Unidos da lei Helms-Burton, que viola as normas do direito internacional e da carta das Nações Unidas. A lei, já aprovada pelo Congresso americano, ainda não foi adotada pelo governo de Bill Clinton.
Os países afirmam que a lei contrapõe os princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC) e é contra o espírito de cooperação que deve caracterizar as relações de todos os membros da comunidade internacional. Ainda segundo a declaração, a aplicação da lei é considerada extra-territorial de direito interno, ou seja, é uma ingerência nos assuntos internos dos países.
Posição contundente Esta é a mais contundente afirmação da democracia ibero-americana no presente século, discursou, no encerramento da reunião, o presidente do Chile, Eduardo Frei. Aqui se traçou um horizonte político que pode inspirar décadas de trabalho e ajudar efetivamente a consolidação de nossas democracias, a qualidade da política e o bem-estar efetivo dos nossos povos.
O presidente chileno, em seu discurso, concordou com a fala do presidente Fernando Henrique Cardoso feita no dia anterior. O brasileiro defendeu a reformulaçao do papel do Estado, que deverá equacionar equidade, liberdade, Estado e mercado em um novo contexto. Nessa cúpula decidimos ir mais além da contínua lamentação acerca do descrédito da política e responder de forma construtiva a evidentes carências que existem, afirmou Frei.
Os dois dias da Cúpula tiveram momentos leves e outros constrangedores. O presidente de Portugal, Jorge Sampaio, cometeu uma gafe logo ao desembarcar em Santiago. Saúdo o povo cubano, declarou. Ao perceber o ato falho, riu e emendou, chileno, para depois tentar consertar. Foi uma maneira ruim de começar uma visita, declarou.
O primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, que críticou violentamente Fidel Castro, pedindo a democratização da ilha, acabou promovendo uma troca de gravatas com seu desafeto. Durante o almoço reservado aos líderes, Fidel comentou que a gravata de Aznar era da mesma cor da do rei Juan Carlos. Aznar sugeriu ao líder cubano trocarem as gravatas. Fidel, porém, não sabia atar o nó, coisa que, confessou, era feita por seu mordomo. Eu que sou o capitalista e você que tem mordomo, comentou irônico Aznar.


