Cúpula ameniza polêmica sobre etanol
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terça-feira, 17 de abril de 2007
France Presse 
Porlamar, Venezuela - A 1 Cúpula Energética Sul-Americana, encerrada ontem em Isla Margarita, amenizou a polêmica gerada pelas críticas venezuelanas ao programa assinado recentemente entre Brasil e Estados Unidos para incentivar a produção de etanol; mas as diferenças com o Brasil em outros grandes projetos regionais persistem: principalmente em relação ao Banco do Sul e a Opep do gás - iniciativas da Argentina, da Bolívia e a Venezuela. Os biocombustíveis, que estão sendo incorporados às matrizes energéticas de inúmeros países da região, foram reconhecidos pela primeira vez nesta cúpula regional como uma fonte viável e estratégica de energia para a América do Sul.
Este era o objetivo do Brasil que, com os Estados Unidos, lidera a produção mundial de etanol, o combustível verde alternativo à gasolina, e pretende exportar sua experiência no ramo à região.
''Quero esclarecer que não somos contra os biocombustíveis, queremos importar etanol do Brasil'', afirmou o presidente Hugo Chávez no discurso de abertura da cúpula. ''Houve posições diferentes entre Brasil e Venezuela no tema dos biocombustíveis. Depois de dois dias de deliberações, as partes entraram no acordo, reconhecendo a importância desta alternativa e da necessidade de explorar caminhos que façam esta forma de energia prosperar'', disse a chanceler do Equador, María Fernanda Espinosa.
''O problema foi superado, e o Brasil conseguiu atingir sua meta de obter o reconhecimento da dimensão que o biocombustível tem de ter numa reunião como esta'', disse o ministro da Energia do Brasil, Silas Rondeau. ''Os biocombustíveis são uma saída para os países pobres do mundo'', comemorou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que elogiou os resultados desta primeira Cúpula Energética Sul-Americana.
Contra - Apesar de ter obtido sucesso na questão do etanol, o Brasil se opôs a dois projetos discutidos paralelamente à Cúpula: a criação de um Banco do Sul e de uma Opep do gás, ambos lançados por Argentina, Bolívia e Venezuela. ''Não vamos comer um prato já feito, queremos ir até a cozinha e participar da elaboração deste prato'', afirmou na segunda-feira o assessor para a Política Externa de Lula, Marco Aurélio Garcia, indicando que o Brasil não iria aderir ao Banco do Sul desenhado sem sua participação. O presidente Lula não garantiu nesta terça-feira a adesão do Brasil ao Banco do Sul, afirmando que é preciso esclarecer sua finalidade.
''É preciso definir sobre esse Banco do Sul tem a finalidade do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial ou do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)'', disse Lula. ''Temos que definir qual é a finalidade do banco para depois saber se convém participar ou não'', acrescentou.
Além disso, o Brasil se opôs à criação de uma Opep do gás, apresentado nas reuniões prévias à abertura oficial da Cúpula. ''Como parte de um esforço de integração temos que harmonizar interesses de produtores e consumidores. Não tem cabimento, numa reunião deste tipo, defender uma Opep do gás; se o fazem, o problema é deles'', afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, em resposta a uma pergunta da AFP.


