Cultura perde 15,6% de trabalhadores em 4 anos
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem os dados da terceira edição da pesquisa "Sistema de Informações e Indicadores Culturais", no qual se constata que a cultura foi a atividade econômica mais afetada pela crise de 2009, principalmente no que diz respeito à geração de empregos.
Entre 2009 e 2012, o número de pessoas ocupadas no setor cultural caiu 15,6%, enquanto que, na economia em geral, cresceu 2,2%. Conforme os números apontados pelo IBGE, em 2012, cerca de 3,65 milhões de pessoas trabalhavam no setor cultural, 673 mil a menos do que em 2009.
A migração de pessoas ocupadas no setor cultural para outras áreas é uma das possibilidades levantadas pelo estudo, que destaca que, em 2007, 4,6% do total de trabalhadores do País atuavam no ramo de cultura. Já em 2012, essa proporção caiu para 3,9%.
Entre 2009 e 2012, o número desses trabalhadores que não tinham carteira assinada caiu 18%, enquanto que a queda do total de trabalhadores formais foi de 4%. Os dados não mostram, no entanto, quais setores absorveram os ex-empregados na cultura e se houve formalização desses trabalhadores.
Levando-se em conta apenas o setor privado, o número de trabalhadores em cultura está crescendo, mas em ritmo mais lento do que o total da economia. Em 2012, havia 400 mil empresas privadas atuando no segmento, 9% a mais do que em 2007. Já o número total de empresas privadas do País cresceu 16% no mesmo período e chegou a 5,1 milhões. Em 2007, 8,3% das empresas privadas do País eram do setor cultural, proporção que caiu para 7,8% em 2012.
Para a produtora cultural e idealizadora do movimento "Economia Criativa", em Londrina, Edra Moraes, a crise de 2009 apenas agravou um cenário que já não se mostrava muito otimista para a cultura. "Na verdade foi a gota dágua. É uma área muito difícil de trabalhar e por uma série de fatores. Falta, por exemplo, articulação dos profissionais do meio, diferente de classes como a dos bancários. Além disso, as leis de incentivo, na sua maioria, privilegiam os espetáculos grandes", analisa.
Edra acredita que o setor cultural de Londrina também foi afetada pela crise, acompanhando a realidade nacional, apontada pelo IBGE. Mesmo assim, ela se diz otimista com a cultura na cidade. "Tivemos quedas de emprego, baixas de salário e nunca foi tão difícil fechar um patrocínio como agora. Mas acho que a tendência é reverter isso, desde que exista a atuação de todos os agentes envolvidos, como indústria, comércio e Prefeitura".
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