Rio de Janeiro- A cultura tem destaque nos gastos da família brasileira e chega a superar as despesas com itens como educação e higiene pessoal. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que uma família gasta, em média, 7,9% de seu orçamento com cultura, item que figura no quarto lugar na lista do consumo familiar. A atividade ocupa 4% da mão-de-obra ativa do País, ou 1,43 milhão de pessoas, e representa 5,2% das empresas formais.
Somando os segmentos de indústria, comércio e serviços, a atividade cultural gerou receita líquida de R$ 156 bilhões em 2003, ou 7,9% da receita líquida total desses setores naquele ano. As conclusões estão no Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), estudo apresentado ontem, depois de dois anos de elaboração. Como é uma pesquisa pioneira, o próprio IBGE reconhece que há pontos a afinar, a começar pela definição do que é atividade ou consumo cultural. A telefonia (celular, fixa e internet), por exemplo, foi incluída, o que levou a cultura à quarta colocação do consumo. Sem ela, o item cai para o sexto lugar no orçamento familiar.
Os gastos familiares mensais com cultura, incluindo a telefonia, é de R$ 115,50. Mas, desse total, a telefonia representa quase a metade, ou R$ 50,97. Sem ela, o total de despesas culturais cai para R$ 64,53, ou 4,4% do orçamento familiar. A diretora de Pesquisa do IBGE, Wasmália Bivar, disse que o objetivo é, no futuro, separar, dentro da telefonia, os segmentos voltados especificamente para cultura, como transmissão de imagens e dados e internet.
As três instâncias de governo investiram R$ 2,3 bilhões em cultura em 2003, ano de referência do estudo. Os municípios lideraram, com 55%, seguidos pelos Estados (32,4%) e pela União (12,6%). O levantamento, inédito, foi feito a pedido do ministro da Cultura, Gilberto Gil, para avaliar o peso da atividade cultural no Produto Interno Bruto (PIB) do País. Ainda não se chegou a este dado por dificuldades metodológicas, mas o objetivo é divulgar o PIB cultural em 2008, de acordo com o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.
''Precisamos saber, de cada atividade, o que é exclusivamente cultura. Em 2007, faremos o primeiro cálculo, que não contemplará toda a atividade cultural, e vamos desenvolver a tecnologia apropriada. Se esse trabalho avançar, em 2008 daremos os primeiros resultados'', disse Nunes.
Para Gilberto Gil, delimitar a economia da cultura permite qualificar a atividade e aumentar sua importância no orçamento nacional. Atualmente, sua pasta fica com 0,6% do total. ''A cultura está preparada para receber mais investimento. Se o repertório cultural se amplia, a capacidade e necessidade de ação também cresce e será necessário ter mais dinheiro'', afirmou o ministro.

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