Cultura de curto prazo inibe venda de consórcio
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segunda-feira, 01 de setembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
Os setores atingidos pela mudança das normas no sistema de consórcio têm dúvidas se haverá estímulo às compras porque, segundo eles, os brasileiros não têm o hábito de fazer planejamento. Para o presidente do Secovi-SP (sindicato da construção), Ricardo Yazbek, ainda não existe no setor imobiliário uma mentalidade de planejamento por prazo muito longo. O comprador normalmente espera no máximo quatro anos para receber o imóvel, disse. Ele não acredita que o aumento do prazo ajude a estimular os negócios. Talvez na área de terrenos haja uma boa aceitação, disse Yazbek.
Mesmo assim, o setor imobiliário poderá ser o maior beneficiado com as novas regras dos consórcios, que entraram em vigor ontem (confira ao lado). Segundo Dorival Zanetti, diretor da Abac (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios), o número de participantes em grupos desse segmento deve crescer de 35% a 40% até o final do ano.
Operadores e agentes de turismo têm opinião semelhante. Nesse setor, o governo permitiu a formação de grupos para a aquisição de pacotes turísticos. Conforme o presidente da Abav (Associação Brasileira das Agências de Viagem), Sérgio Nogueira, será necessário um trabalho de conscientização para mostrar as vantagens do consórcio. Hoje, quem compra um pacote turístico quer viajar logo. Nogueira estima que o consórcio para viagens seja entre 17% e 20% mais barato em relação às formas habituais de financiamento.


