Curitiba - A Universidade Federal do Paraná (UFPR) divulgou ontem os resultados de uma pesquisa realizada com bananicultores do Litoral do Paraná. Durante 18 meses, estudantes e professores do Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná, em parceria com pesquisadores da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e técnicos extensionistas da Emater trabalharam em cerca de 100 propriedades rurais familiares buscando a transição da agricultura química para a agricultura ecológica. Eles também pesquisaram as doenças do bananal e a agroindústria do setor.
A chefe da unidade de programas e projetos de extensão da UFPR e coordenadora geral do projeto, Marlene Mortagua Walflor, disse que o trabalho começou com cinco propriedades rurais como unidades de demonstração - duas em Guaraqueçaba, uma em Antonina e duas em Morretes. ''São propriedades pólos com 5 a 10 hectares para irradiar a técnica de extensão'', contou.
Segundo ela, os principais resultados da pesquisa mostraram que o cultivo orgânico impede as doenças, especialmente a sigatoka negra, que deixa a bananeira enfraquecida e atrapalha o crescimento dos frutos. Além disso, a banana orgânica é isenta de produtos químicos.
Centro e vinte produtores já estão trabalhando com banana orgânica em Guaraqueçaba, Antonina e Morretes. Nestas três localidades, a banana caturra é uma das principais fontes de renda. A fruta é usada para produtos industrializados como a banana passa, bala e farinha de banana.
''A pesquisa possibilitou um novo campo de atuação para os futuros profissionais de agronomia'', disse Marlene. Participaram da pesquisa 12 estudantes do curso de agronomia da UFPR, seis professores da universidade, dois pesquisadores da Seab e seis técnicos da Emater.
Segundo Marlene, para transformar a cultura tradicional para a orgânica, é utilizada adubação orgânica com folhas, palha, restos de resíduos e dejetos de animais. O solo recebe a adição de potássio e cálcio.
O projeto Transição Agroecológica na Região de Curitiba e Litoral do Estado do Paraná foi encabeçado pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) da UFPR, que conseguiu do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) os recursos para o financiamento da pesquisa de campo aproveitando os conhecimentos que já tinha na área agrícola de Guaraqueçaba onde já vinha desenvolvendo uma série de outros projetos de extensão. O cultivo da banana é uma das maiores culturas do litoral paranaense - ainda que em caráter de subsistência - atingindo quase a totalidade das pequenas propriedades.

mockup