Cultivo de orgânicos cresce no Oeste
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de março de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
A agricultura orgânica vem se consolidando na região Oeste do Paraná como a redenção econômica para pequenos e minis produtores rurais. Na onda do crescimento vertiginoso da procura pelos produtos cultivados sem o uso de agrotóxicos, os produtores se organizam para explorar este nicho de mercado.
E os atrativos são consideráveis: a produção orgânica é mais barata, já que todos os insumos (defensivos e adubos, por exemplo) são produzidos na propriedade a partir de matérias encontradas na própria natureza. A conversão depende apenas de uma mudança de postura, não exigindo investimentos, a qualidade de vida do agricultor é preservada. E como a procura ainda é maior que a oferta, os preços pagos no mercado ao produtor são em média 30% superiores àqueles pagos pelos produtos cultivados nos sistemas convencionais, com uso de agrotóxicos.
No PróCaxias região composta pelos municípios banhados pelo lago da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias (UHSC) mais de 300 produtores foram capacitados e já estão produzindo em escala comercial. Seus produtos têm, inclusive, uma griffe própria, a marca Ecoalimentos, registrada no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).
A partir de novembro, por exemplo, os produtores da região vão colocar no mercado mais de 300 toneladas mensais de hortifrutis orgânicos, sem contar os produtos derivados da cana, do leite e cereais como soja, milho e feijão, que também estão sendo produzidos sem o uso de qualquer tipo de agrotóxicos.
Segundo o consultor do Sebrae/Pr, Paulo Porsch, que juntamente com a Emater mantém uma parceria com os produtores da região, o projeto não visa apenas a produção pura e simples de orgânicos. Muitos dos produtos estão passando por processos de transformação, com a agroindustrialização, e agregando valores de mercado. Os produtores estão entendendo que a produção orgânica não serve apenas para o consumo próprio. Existe um mercado muito forte dirigido a esta área, explica.
Para uma maior expansão do Programa de Agricultura Orgânica está sendo discutido a criação de associações específicas em cada município para, em breve, ser criada uma entidade regional de agricultura orgânica. Um dos primeiros municípios a ter sua associação é Nova Prata do Iguaçu (90 km ao sul de Cascavel), onde existem mais de mil hectares de produtos orgânicos, sendo 100 hectares apenas de soja.
O presidente da Associação dos Agricultores de Produção Orgânica (Aapo), Felisberto Marcos Belicanta, diz que o mais difícil no processo de conversão da agricultura convencional para a orgânica é a conscientização dos produtores. Em sua propriedade estão plantados 12 hectares de produtos orgânicos que conta com uma grande diversidade de culturas. No local existem plantações de soja, arroz, milho, morango e outros produtos. A diversidade é uma das maiores vantagens da produção orgânica. Alguns produtos são utilizados para consumo próprio e outros para o comércio, acrescenta o produtor.
O engenheiro agrônomo, Moacir Kretzmann, explica que depois que se alcança o equilíbrio da terra, sem o uso de agrotóxicos, a própria natureza é responsável pelo controle das pragas. Ele acrescenta que a conversão total pode durar até cinco anos, dependendo da quantidade de tempo em que foi utilizado defensivos nocivos à terra. O tempo da conversão é muito relativo, depende de uma integração de fatores, entre eles, a dedicação do produtor, completa.
O coordenador da Emater, em Nova Prata do Iguaçu, Ericson Marx, diz que a agricultura orgânica é o modo verdadeiramente científico de produzir alimentos saudáveis e assegurar a integridade do meio ambiente. Ele completa seu raciocínio dizendo que entre os orgânicos existem microorganismos provenientes da própria natureza que fornecem nitrogênio para a planta. No caso da agricultura convencional o fornecimento de nitrogênio depende da aplicação de uréia pelo agricultor, afirma.


