A agricultura orgânica vem se consolidando na região Oeste do Paraná como a redenção econômica para pequenos e minis produtores rurais. Na onda do crescimento vertiginoso da procura pelos produtos cultivados sem o uso de agrotóxicos, os produtores se organizam para explorar este nicho de mercado.
E os atrativos são consideráveis: a produção orgânica é mais barata, já que todos os insumos (defensivos e adubos, por exemplo) são produzidos na propriedade a partir de matérias encontradas na própria natureza. A conversão depende apenas de uma mudança de postura, não exigindo investimentos, a qualidade de vida do agricultor é preservada. E como a procura ainda é maior que a oferta, os preços pagos no mercado ao produtor são em média 30% superiores àqueles pagos pelos produtos cultivados nos sistemas convencionais, com uso de agrotóxicos.
No PróCaxias – região composta pelos municípios banhados pelo lago da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias (UHSC) – mais de 300 produtores foram capacitados e já estão produzindo em escala comercial. Seus produtos têm, inclusive, uma ‘‘griffe’’ própria, a marca Ecoalimentos, registrada no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).
A partir de novembro, por exemplo, os produtores da região vão colocar no mercado mais de 300 toneladas mensais de hortifrutis orgânicos, sem contar os produtos derivados da cana, do leite e cereais como soja, milho e feijão, que também estão sendo produzidos sem o uso de qualquer tipo de agrotóxicos.
Segundo o consultor do Sebrae/Pr, Paulo Porsch, que juntamente com a Emater mantém uma parceria com os produtores da região, o projeto não visa apenas a produção pura e simples de orgânicos. Muitos dos produtos estão passando por processos de transformação, com a agroindustrialização, e agregando valores de mercado. ‘‘Os produtores estão entendendo que a produção orgânica não serve apenas para o consumo próprio. Existe um mercado muito forte dirigido a esta área’’, explica.
Para uma maior expansão do Programa de Agricultura Orgânica está sendo discutido a criação de associações específicas em cada município para, em breve, ser criada uma entidade regional de agricultura orgânica. Um dos primeiros municípios a ter sua associação é Nova Prata do Iguaçu (90 km ao sul de Cascavel), onde existem mais de mil hectares de produtos orgânicos, sendo 100 hectares apenas de soja.
O presidente da Associação dos Agricultores de Produção Orgânica (Aapo), Felisberto Marcos Belicanta, diz que o mais difícil no processo de conversão da agricultura convencional para a orgânica é a conscientização dos produtores. Em sua propriedade estão plantados 12 hectares de produtos orgânicos que conta com uma grande diversidade de culturas. No local existem plantações de soja, arroz, milho, morango e outros produtos. ‘‘A diversidade é uma das maiores vantagens da produção orgânica. Alguns produtos são utilizados para consumo próprio e outros para o comércio’’, acrescenta o produtor.
O engenheiro agrônomo, Moacir Kretzmann, explica que depois que se alcança o equilíbrio da terra, sem o uso de agrotóxicos, a própria natureza é responsável pelo controle das pragas. Ele acrescenta que a conversão total pode durar até cinco anos, dependendo da quantidade de tempo em que foi utilizado defensivos nocivos à terra. ‘‘O tempo da conversão é muito relativo, depende de uma integração de fatores, entre eles, a dedicação do produtor’’, completa.
O coordenador da Emater, em Nova Prata do Iguaçu, Ericson Marx, diz que a agricultura orgânica é o modo verdadeiramente científico de produzir alimentos saudáveis e assegurar a integridade do meio ambiente. Ele completa seu raciocínio dizendo que entre os orgânicos existem microorganismos provenientes da própria natureza que fornecem nitrogênio para a planta. ‘‘No caso da agricultura convencional o fornecimento de nitrogênio depende da aplicação de uréia pelo agricultor’’, afirma.

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