Cultivo de madeira dispara em rentabilidade
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sábado, 25 de setembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ''apagão florestal'', que ocorre no Brasil, está obrigando as indústrias nacionais a importar madeira da Argentina para cumprir contratos de exportação. No ano passado, as indústrias importaram 3 milhões de metros cúbicos de pinus da Argentina e este ano devem importar, até o final do ano, 10 milhões de metros cúbicos. A importação deve dobrar para 20 milhões de metros cúbicos em 2007, para atender a necessidade de exportação das indústrias de móveis da região sul do País. O alerta é de Roberto Gava, presidente da Associação Paranaense das Empresas de Base Florestal.
Com essa escassez o cultivo de madeira disparou em rentabilidade. Atualmente um hectare de madeira plantada, se bem conduzido, rende R$ 60 mil enquanto um hectare de soja está rendendo R$ 1.750. Segundo Gava, a valorização do pinus está induzindo muito produtor a fazer a ''caderneta de poupança verde'', que é o plantio de árvore numa área de até 30% da propriedade.
Gava explica que o ''apagão florestal'' vem sendo alertado desde 1995 quando o cultivo de madeira na região sul do País começou a reduzir de forma drástica. ''Essa escassez era previsível'', afirmou. A atividade entrou em declínio desde 1988, quando o governo federal extinguiu os incentivos fiscais para silvicultura (plantio de árvores).
Gava justificou que as empresas ou os grandes produtores, que plantavam pinus, não têm capital suficiente para empatar numa floresta e ter rendimentos dentro de 15 anos. ''Isso seria o normal, mas as empresas brasileiras não são ricas para deixar o dinheiro parado numa floresta'', explicou.
O que se vê atualmente são pequenos investidores que estão decidindo fazer a poupança verde por conta própria, após ver que o vizinho que tem madeira plantada fez um ótimo negócio, disse o empresário. Muitos desses produtores estão deixando de utilizar toda a área da propriedade para culturas anuais e estão reservando um espaço para o plantio de madeira.
Por mais paradoxal que seja, no Paraná a área de floresta plantada ocupa apenas 2,8% do território paranaense enquanto a exportação de madeira e produtos derivados está ocupando o segundo lugar na pauta de exportação. No primeiro semestre deste ano, as exportações atingiram US$ 645 milhões, o dobro das exportações ocorridas no primeiro semestre de 2002, quando o setor exportou US$ 317 milhões. No ano passado, no mesmo período as indústrias de base exportaram US$ 383 milhões.
Para Gava, o setor só vai ganhar importância quando a silvicultura for enquadrada no Ministério da Agricultura e não no Ministério do Meio Ambiente, como está atualmente. Em o enquadramento correto, os órgãos públicos terão condições de traçar estratégias para estimular o plantio de madeira e ter resultados econômicos importantes com a atividade.
De acordo com o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Joésio Deoclesio Siqueira, o plantio de pinus já foi menor no Estado quando a cultura ocupava uma área de apenas 550 mil hectares. Atualmente está ocupando 653 mil hectares, que corresponde a 33% da área plantada no Brasil.


