Cuidados simples ajudam a evitar adulteração de cheque
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de setembro de 2001
Denise Angelo<br> De Ponta Grossa 
Quando o artista gráfico de Londrina, que prefere não divulgar seu nome, emitiu um cheque de R$ 30 para abastecer seu carro não imaginava que a despesa renderia um rombo de mais de R$ 300 na sua conta corrente. O cheque foi adulterado e ao ser descontado não havia fundos. Além de pagar dez vezes a mais pelo cheque adulterado, ele precisou bancar taxas cobradas pelo banco por causa da devolução deste e de outros cheques que tinham sido emitidos.
Depois de fazer uma microfilmagem, o banco constatou que o cheque realmente tinha sido adulterado e pagou ao artista tudo o que foi cobrado indevidamente. Mas a fragilidade do sistema passou a incomodá-lo. O cheque adulterado foi depositado em um caixa eletrônico e seguiu para a Câmara de Compensação sem nenhuma conferência.
Com a estudante Juliana Simone Coradin a história só não se repetiu porque o caixa do banco percebeu a adulteração e se negou a pagá-lo. Ela emitiu um cheque de R$ 10 também em um posto de combustíveis, mas na hora de trocá-lo, constava no documento o valor de R$ 63. Ao ser comunicada pelo banco que a compensação do cheque havia sido impedida, Juliana voltou ao posto para tentar recuperá-lo e descobrir o que realmente havia acontecido. Mas no posto os funcionários se negaram a devolvê-lo. Uma semana depois, o cheque foi descontado com o valor correto.
A estudante acredita que a tinta da caneta oferecida pelo posto para que os clientes preencham os cheques tenha algum dispositivo que facilite a adulteração, como a possibilidade de ser apagada. Isso porque a adulteração de R$ 10 para R$ 63 é difícil de ser feita. ''Se eles tivessem adulterado para R$ 100 ou até R$ 1 mil seria mais fácil de entender'', considera.
Não existem estatísticas de quantos cheques são adulterados por mês no Paraná. Mas para evitar esse tipo de problema, a coordenadora do Procon de Ponta Grossa, Vera Lúcia Barbieri, dá algumas dicas ao usuário. Segundo ela, para os bancos o que vale é o que está escrito por extenso. Portanto, a recomendação é para que o valor escrito por extenso seja colocado entre parênteses, sem muito espaço entre esses sinais e a escrita do valor.
Ela também recomenda que o cliente do banco não repasse cheques para pessoas desconhecidas. ''Normalmente, quando há uma adulteração ela é feita por terceiros'', revela. Para Vera Lúcia, dificilmente uma empresa, no comércio por exemplo, tem esse tipo de atitude. ''Isso prejudicaria a imagem da própria empresa'', ressalta.
Outra dica, essa da Federação Nacional dos Bancos (Febraban), é para que o cliente não preencha cheques com canetas de outras pessoas. Usando uma caneta própria, dificilmente o adulterador encontrará uma caneta com o mesmo tom da tinta, o que deixará a falsificação mais grosseira e, portanto, mais fácil de ser identificada e coibida.
No caso da adulteração acontecer, o cliente deve pedir a reavaliação do cheque. Normalmente os bancos fazem uma microfilmagem para verificar a validade ou não do documento. Se o banco se negar a fazer esse serviço, o cliente deve procurar ajuda do Procon.


