O funcionamento das barreiras sanitárias em torno das fazendas consideradas focos de febre aftosa são um capítulo à parte da 'comédia de erros' em que se transformou o caso. Ontem, quase três meses após a desativação do bloqueio da estrada rural que dá acesso às fazendas Pedra Preta e Cesumar, o aparato subitamente reapareceu - com um rigor não verificado até então.
O isolamento sanitário foi realizado na região apenas durante 45 dias após a divulgação da suspeita da doença, em 21 de outubro de 2005. Após a publicação dos primeiros resultados, indicando que o vírus não foi isolado, houve um relaxamento dos cuidados. Situação semelhante foi verificada pela imprensa nas fazendas São Paulo e Alto Alegre, em Loanda, em dezembro.
A Seab sempre negou as evidências de descumprimento do cordão sanitário. Ontem, durante toda o dia, veículos que trabalharam no sacrifício dos animais foram pulverizados com ácido cítrico em toda a parte externa - diferentemente dos primeiros dias, em que apenas os pneus eram alvos do produto.
Outro ponto que chamou a atenção de profissionais da imprensa durante o abate dos 231 animais da 'Pedra Preta' foi a diferença entre os cuidados tomados com jornalistas e profissionais da área sanitária.
Enquanto repórteres foram impedidos de acompanhar o sacrifício e fotógrafos tiveram que utilizar um uniforme completo para chegar perto da vala onde os bovinos foram enterrados, funcionários envolvidos na operação de abate deixaram a propriedade vestindo apenas roupas normais - sem qualquer aparato especial. Fotógrafos que conseguiram furar o cerco e se aproximar do local do abate também relataram que alguns profissionais que participaram do sacríficio usavam apenas coletes sobre a roupa.
Questionado sobre o relaxamento das medidas de segurança, o superintendente do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná, Walmir Kowalewski, que também deixou a fazenda sem o uniforme, evitou polemizar. ''A operacionalização das barreiras cabe à Seab e prefiro não me manifestar. Devemos olhar para o futuro'', disse - esquivando-se das críticas que o Mapa vem recebendo da Seab e pecuaristas nos últimos meses. ''Se (as barreiras) voltaram hoje (ontem), que bom, porque há muitos animais contaminados aqui''. (F.C.)

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