Curitiba Imóveis e carros que não foram entregues, cobrança de valores indevidos e empresas que fecham e deixam os consumidores na mão. Esses são alguns dos problemas enfrentados por consumidores de consórcio e registrados nos órgãos de defesa do consumidor. Antes de assinar um contrato, especialistas e empresários que atuam na área recomendam uma série de cuidados para que o consumidor não caia em uma armadilha.
Só no ano de 2005, o Procon-PR registrou 723 atendimentos nos mais diversos tipos de consórcios. Deste total, o maior número de queixas ficou com consórcios de automóveis (431 reclamações). Nesta modalidade o grande problema foram as dúvidas que os consumidores tiveram sobre cobrança (106 casos). Além de carros, o Procon-PR recebeu queixas sobre caminhões (30 atendimentos), eletrodomésticos (27), consórcio imobiliário (122), motos (91) e outros bens (22).
Levantamento realizado pela reportagem junto ao Banco Central aponta que há 61 administradoras de consórcios no Brasil impedidas de constituir novos grupos. Os dados são de dezembro de 2005. A assessoria de imprensa do banco informou que as razões para isso vão desde o excesso de inadimplência que leva o consórcio a ter falta de capital para comprar os bens até premiações indevidas e desvio de dinheiro. No site www.bcb.gov.br, o consumidor pode consultar a situação de todas as empresas do setor. O BC aponta ainda que há 12 empresas com falência autorizada no Brasil e 14 com pedido de falência ajuizado.
O promotor da Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público Estadual em Curitiba, João Henrique Vilela da Silveira, conta que as reclamações sobre consórcios de veículos sempre foram as mais comuns. Apesar de não ter números precisos sobre os casos que já passaram pelo MPE, ele disse que os problemas mais comuns são os consórcios apresentarem problemas de caixa, os consumidores não receberem o bem para o qual fizeram o contrato e demora para receber o produto.
Ele recomenda que, antes de assinar o contrato, o consumidor verifique a idoneidade do consórcio junto ao Ministério Público, ao Procon e ao Banco Central. Além disso, Silveira destaca que é interessante consultar um contador para avaliar o comprometimento do orçamento familiar que o consórcio vai provocar. Isso para que o pagamento das prestações não se torne uma bola de neve e o consumidor acabe como inadimplente.
A advogada do Departamento Jurídico do Procon-PR, Marta Favreto, ressalta que o primeiro passo, antes de assinar o contrato, é fazer uma espécie de ''investigação'' da empresa para ver se é idônea. ''As empresas autorizadas pelo Banco Central também correm o risco de quebrarem, falirem'', destaca.
Ela recomenda que as pessoas evitem contratar consórcios com empresas que vão até a residência do consumidor. Outra dica é não assinar o contrato em casos de dúvidas e procurar consultar um especialista na área ou órgão de defesa do consumidor.
Marta disse que é muito comum, no caso de imóveis, os contratos em conta de participação, nos quais o consumidor é colocado como sócio. ''Nestes casos é onde aparecem a maior parte dos golpes. ''Este tipo de contrato é empresarial e não poderia ser realizado com qualquer pessoa'', alerta.

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