Muitas empresas no Brasil quebram por causa da síndrome do crescimento rápido. Parece estranho, mas muitos empreendimentos acabam fechando as portas porque seus proprietários não conseguiram se adaptar à nova fase da empresa. O economista Antonio Lopes Sá, doutor em Ciências Contábeis pela Universidade do Brasil, afirma que, quando as empresas crescem, se desajustam naturalmente, sendo necessário mudar a forma de administração para o empreendimento se adaptar à nova realidade. ''É preciso que fique claro que nem tudo que o empresário fez até aquele momento é ruim e nem tudo é bom. Para a empresa sobreviver, ele precisa estar consciente disso'', afirma Lopes Sá.
Uma definição clássica diz que a empresa eficiente é aquela capaz de gerar resultados para os proprietários, funcionários, clientes, fornecedores e sociedade, exercendo a capacidade de mudança necessária à sua manutenção num mercado cada vez mais competitivo. O empresário inexperiente, porém, pode cair nas armadilhas do dia-a-dia e afetar o desempenho e a saúde do empreendimento. Uma destas armadilhas, talvez a mais perigosa, é o dinheiro que entra no caixa. ''Primeiro vem a receita, depois o pagamento das contas. Se o empresário não for cuidadoso pode ser atropelado pela dívida'', explica José Ribeiro, presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ld).
Segundo Ribeiro, muitas vezes o empresário vê o dinheiro no caixa e acha que pode dispor dele sem critério. ''É comum o empresário confundir o dinheiro que é da empresa com o da manutenção da própria casa. Sem organização, ele começa a retirar mais dinheiro do caixa do que a empresa pode suportar'', explica.
Outro risco é o crescimento sem critério. O empresário precisa ter organização administrativa para crescer sem sobressaltos. Segundo Ribeiro, uma indústria necessita de pelo menos quatro anos de funcionamento para começar a dar resultados. Já na atividade comercial, é preciso no mínimo dois anos. ''Quando uma empresa é aberta, melhora a clientela e começa a crescer, o empresário empolgado com o dinheiro que entra no caixa compra mais equipamentos e contrata funcionários, sem qualquer critério. O comum é ele fazer tudo isso sem um estudo de mercado, sem ter números confiáveis para tomar essa decisão'', diz.
Segundo ele, essa desorganização administrativa é uma das principais causas da mortalidade das empresas. ''Antes de tomar qualquer decisão é essencial que o empresário consulte seu contador, analise criteriosamente os números da empresa para decidir até onde ele pode ir. Esta atitude reduz muito a possibilidade de erro'', explica Ribeiro.
Segundo o Sebrae, a habilidade e a capacidade gerencial dos gestores é justamente fazer com que a empresa gere resultados suficientes para que ela sobreviva e cresça de forma contínua. A qualidade do resultado apresentado o lucro obtido , deverá ser suficiente não só para manter a empresa, mas também para fazê-la crescer, ser competitiva e trazer para seus investidores os resultados desejáveis.

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