Agência Estado
De São Paulo
Um novo tipo de fraude está preocupando os consumidores. Desta vez, é a clonagem dos cartões de bancos que está tirando a tranquilidade de correntistas que precisam fazer transações bancárias em caixas eletrônicos. Até agora, o problema era comum apenas no segmento de cartões de crédito.
A atuação de quadrilhas especializadas está fazendo com que o número de ocorrências policiais relativas à clonagem de cartões de bancos aumente expressivamente. Para fazer a clonagem, os fraudadores colocam nos caixas eletrônicos um aparelho chamado ‘‘skimming’’, conhecido nas delegacias como ‘‘chupa-cabra’’. O equipamento tem o tamanho de um walkman e, em contato com o cartão magnético, armazena todos os dados do cliente. As informações são passadas para um computador e transmitidas para um cartão sem identificação, que passa a ser usado pelos estelionatários. Por isso, se perceber algum equipamento estranho na cabine, o correntista deverá comunicar o fato à central de atendimento ao cliente.
O advogado e membro da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) José Tavolieri de Oliveira diz que o consumidor que utiliza o caixa eletrônico deve ter muito cuidado. ‘‘As cabines não oferecem segurança e, por isso, se houver alguém mal-intencionado por perto, será muito fácil que a senha seja descoberta no momento em que o titular a digitar.’’
As instituições financeiras estão preocupadas com o aumento de ocorrências de saques indevidos. Na maior parte dos casos, os correntistas não sabem como ocorreram os débitos. Oliveira lembra que vários bancos estão sofrendo ações judiciais por conta desse problema e, por isso, eles são os maiores interessados em evitar as fraudes. ‘‘Alguns já adotaram sistemas mais seguros que não permitem nem que o funcionário tenha acesso à senha dos clientes.’’
Para o delegado-titular do Departamento de Investigação sobre Crimes Patrimoniais, Manoel Camassa, essa medida é muito importante, porque em 90% dos crimes de estelionato há a participação de alguém da instituição financeira que divulga informações sigilosas.
De acordo com levantamento do Procon-SP, de janeiro a setembro deste ano, foram registradas na entidade 683 consultas e 381 reclamações de falhas no sistema de transações eletrônicas dos bancos da capital paulista. Em 94, foram verificadas apenas 21 reclamações. O problema começou a agravar-se em 1997, quando foram constatadas 291 reclamações.

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