Cuidado: ''Não há almoço grátis''
O administrador de empresas londrinense Douglas Romero está acostumado a lidar com pessoas que se perderam em dívidas. Ele é voluntário do grupo Devedores Anônimos, para o qual costuma fazer palestras e dar orientações. Romero lembra que não são só os compulsivos que se metem em encrencas. ''Muitas vezes, as pessoas contraem uma dívida por estarem vivendo algum tipo de pressão circunstancial ou mesmo para bancar um status'', afirma.
Recentemente, ele conheceu um rapaz que comprou uma motocicleta cujo preço à vista era de R$ 5.200. Ganhando salário mínimo, para satisfazer seu desejo o jovem aceitou um financiamento de 60 parcelas de R$ 298. ''Ele ainda deu o 13º salário como balão. Vai pagar quase R$ 20 mil'', conta.
A falta de racionalidade, ressalta Romero, leva as pessoas a um processo perigoso de endividamento. ''Coloque tudo no papel, calcule quanto você vai pagar de juros, compare, não tome decisões emocionais nestas horas'', receita.
Assim como o professor de economia João Basílio Pereima, da UFPR, ele teme que o farto noticiário sobre as quedas nos juros, em vez de ajudar o consumidor, possa complicar ainda mais sua vida. ''Se for para realmente negociar uma dívida em melhores condições, tudo bem, mas juros menores não devem ser incentivo para novos empréstimos'', ressalta. Para ele, é preciso ter cuidado com os bancos. ''Não há almoço grátis'', declara. (N.B.)





