São Paulo - Quem não fez economias para garantir o pagamento das despesas de início de ano não tem muitas opções para passar os meses de janeiro e fevereiro. Ou faz com que as despesas caibam dentro do orçamento, cortando supérfluos, por exemplo, ou joga o pagamento para os próximos meses, seja parcelando, seja recorrendo a empréstimos. O que não dá é para ignorar as cobranças que chegam.
  Antes de decidir como quitar essas despesas, a dica de Alessandro Galvão, diretor de Novos Negócios da consultoria Botton Line, é avaliar o nível de endividamento nos primeiros meses do ano. ‘‘Não se deve esquecer que nesse período as pessoas costumam planejar viagens e, em alguns casos, estão pagando parcelas das compras de Natal’’, ressalta. E não se deve esquecer desses gastos ao planejar como pagar mais despesas.
  Na hora de optar por uma forma de crédito, Galvão avisa: fuja do cheque especial. ‘‘Os juros são muito altos. É melhor parcelar os impostos a pagar à vista e entrar no cheque especial’’, garante. Segundo o economista da Pro Teste Leonardo Diz, o ideal é evitar as formas mais fáceis de crédito. ‘‘Quanto mais fácil o acesso ao empréstimo, mais altos são os juros’’, afirma.
  Como exemplos ele usa o próprio cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. ‘‘São formas fáceis, rápidas e pré-aprovadas de crédito. O consumidor tem acesso simplificado a elas, mas paga caro por isso.’’
  Na prática, as formas relativamente mais difíceis e trabalhosas de crédito são as mais vantajosas. ‘‘A melhor forma é sempre pedir dinheiro aos amigos’’, opina. Mas ele sabe que se trata de uma questão delicada. ‘‘Se houver abertura para pedir empréstimo a amigos ou parentes, o melhor é fazer essa opção.’’ Ele recomenda que se combine, por exemplo, de pagar juros como os da poupança no empréstimo. ‘‘Assim o acordo não prejudica quem empresta e não se torna impagável para quem pede emprestado’’, explica o economista.
  Mas, se essa hipótese for muito complicada, a recomendação é recorrer ao empréstimo pessoal. ‘‘Os juros estão em torno de 4% ao mês, segundo uma pesquisa recente do Banco Central’’, informa. Bem menos do que o cheque especial, que pode atingir os 10% ao mês. ‘‘Às vezes o banco já tem um valor pré-aprovado de empréstimo, o que poupa trabalho do correntista.’’

mockup