A Pro Teste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor analisou os preços e condições de pagamento à vista e em três, seis, nove e 12 parcelas para uma máquina de lavar roupas, um forno de microondas, uma TV 29 polegadas de tela plana e uma geladeira, em oito lojas de eletrodomésticos e hipermercados de São Paulo. Depois, simulou as possibilidades de financiamento desses produtos nas dez maiores instituições financeiras do País para ver se valia a pena pegar um empréstimo. De fato, o melhor que o consumidor pode fazer é financiar os produtos diretamente com as lojas.
A pesquisa constatou que o mercado trabalha com três tipos de preços: o anunciado pelo estabelecimento nas propagandas, o à vista com desconto - que a Pro Teste considerou como o preço à vista de fato, já que é o que o consumidor realmente vai pagar - e o preço financiado, que soma os valores de todas as parcelas pagas.
Ao comprar um bem, o consumidor não deve se preocupar apenas em verificar se o valor da prestação cabe no orçamento. Muitas parcelas de valores baixos podem somar um valor bem mais alto que menos parcelas de valores maiores. Por exemplo, 12 parcelas de R$ 120,00 (R$ 1.440,00) saem bem mais caras que seis de R$ 200,00 (R$ 1.200,00).
Isso porque o preço de um bem parcelado em muitas vezes pode esconder juros altos. Portanto, o consumidor precisa avaliar sempre a possibilidade de adiar a compra para pagar o bem à vista. Vale a pena até resgatar aplicações com baixo rendimento, como a poupança, para investir na compra à vista de um eletrodoméstico.
No teste, na maioria dos casos em que os pesquisadores se propuseram a pagar à vista, os vendedores ofereceram desconto de 5 a 10 por cento sobre o preço declarado na propaganda. Isto significa que se o consumidor for bom de pechincha e insistir, o desconto pode ser até maior.
Além disso, é bom lembrar-se que um bom desconto nem sempre se reflete em uma boa compra. De nada adianta um vendedor oferecer um desconto de 15% para um produto que a concorrência já vende por 20% a menos. Por isso, a Pro Teste aconselha a sempre comparar os preços. As diferenças encontradas entre os menores e os maiores preços à vista foram de 20% para o televisor, 21% para a máquina de lavar, 27% para a geladeira e 45% para o forno de microondas.
Cartão - A forma de pagamento também influencia no custo do financiamento. Em geral, só é possível ''parcelar sem juros'' usando o cartão de crédito. Quem tiver saldo disponível no cartão, vale a pena usá-lo. O parcelamento com cartão é a forma mais rápida e prática. Mas o parcelamento no cartão só é válido para quem puder pagar a fatura toda e em dia, não entrando no crédito rotativo.
Alguns bancos e financeiras têm linhas de crédito voltadas à compra de bens e funcionam da seguinte forma: o consumidor pega um empréstimo no valor do produto à vista e paga de maneira parcelada à instituição. Mas a pesquisa da Pro Teste comprovou que os custos desses empréstimos não compensam. Em média, a Taxa Efetiva Global (Taeg), que inclui todos os custos do crédito, é de 262% para o crédito pessoal e de 135% para o CDC. Por exemplo: quem contrata um CDC de R$ 1.299,00 parcelado em 12 vezes acaba pagando R$ 3.036,60.
A pesquisa completa com tabelas que permitem comparação entre lojas, produtos ou entre características comuns está disponível endereço de internet www.proteste.org.br.

mockup