Cuidado com o parcelamento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de outubro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Antes de decidir pela compra parcelada de um produto, o consumidor precisa analisar vários pontos para não sair no prejuízo. Um dos primeiros passos é fazer uma pesquisa de quanto vai pagar de juros. Em algumas situações, o produto pode dobrar de preço na hora de parcelar. Há casos nos quais o consumidor tem vários financiamentos e fica atolado em dívidas.
O professor de mercados financeiros das Faculdades Ibmec de São Paulo e da Fundação Instituto de Administração (FIA), Ricardo Rocha, disse que o ideal é que as prestações, seja de cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC), casa própria e carro juntas não ultrapassem 35% da renda familiar líquida. ''Quando ultrapassa este porcentual, a pessoa começa a usar o cheque especial para pagar o cartão de crédito. Neste caso, a compra em dez vezes sem juros, vira 10% de juros ao mês'', destacou. Para resolver a dívida, outro recurso que o consumidor recorre é o pagamento mínimo.
Ele lembrou ainda que, quando o produto dobra de preço não vale a pena parcelar. ''O consumidor não pode entrar na onda do entusiasmo da compra. Às vezes, é melhor pegar o dinheiro e deixar no banco''. disse.
Rocha ressaltou que as promoções de compra em cinco, dez vezes no cartão sem juros têm taxa embutida. Ele sugere que, antes da compra, o consumidor pesquise o preço do produto em três ou quatro concorrentes. ''Mesmo na compra parcelada é possível conseguir desconto'', lembrou.
O professor destacou que o desconto para a compra à vista vale a pena quando é maior que o valor que a pessoa ganha aplicando o dinheiro. ''O consumidor não pode ficar ansioso na hora da compra e tem que brigar pelo desconto'', disse.
Um bom valor de desconto para compra à vista seria de 5% a 10%. Mas, mesmo comprando parcelado ele considera que o consumidor deve fazer pesquisa de juros para verificar qual o estabelecimento oferece as menores taxas.


