São Paulo - A advogada Kássia Corrêa é vista como uma defensora dos que enfrentam problemas com o pagamento de cartões de crédito. Presidente da Associação Nacional dos Usuários de Cartão de Crédito (Anucc), Kássia luta diariamente contra cobranças indevidas, fraudes via internet, juros abusivos e colocação indevida de pessoas em cadastros ou listas de maus pagadores.
Kássia diz que o dinheiro de plástico induz as pessoas ao consumo. ''É tão fácil usar, e o consumidor é emocional, que nem percebe em que está se metendo'', afirma. Daí defender o uso racional do cartão. ''Primeiro é preciso escolher um cartão de acordo com o seu perfil econômico. Ou seja, nunca aceitar um cartão que lhe permita gastos superiores ao que recebe.''
Como todos os consultores, Kássia também acha fundamental o pagamento do valor total da fatura. ''Se não pagar o total, vai perder o controle, já que a forma de cobrança dos juros não é transparente'', argumenta. Ela só admite que o consumidor pague o valor mínimo no caso de uma urgência absoluta. ''E isso só pode se repetir por dois meses. Depois disso vem o descontrole e a dívida cresce e se torna impagável.''
Kássia lamenta que o uso do crédito rotativo do cartão de crédito continua sendo a maior causa de endividamento de quem usa o sistema. ''O apelo ao consumo é muito grande e vale tanto para o assalariado como para o milionário'', analisa. Daí ela aconselhar as pessoas a buscarem um crédito mais barato para saldar a dívida com cartão. ''Nunca deixe ela crescer. Faça um empréstimo pessoal, que envolve juros menores, e liquide a dívida do cartão'', insiste.
A presidente da Anucc reconhece que o cartão de crédito oferece muitas vantagens, ''mas é uma navalha'', diz. Com base nos levantamentos que a entidade faz, ela garante que é apenas uma parcela ínfima dos usuários que não tem controle orçamentário. ''E é também pequeno o percentual dos maus pagadores. Os devedores geralmente o são por terem caído numa cilada, a do crédito rotativo e juros altos'', conclui.
A verdade é que os fortes apelos para sua utilização sempre surtem efeito. Tanto que a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) destaca o cartão como ''tão necessário como RG, mas ninguém paga conta com RG''. Ou ainda ''é o pré-datado que deu certo''. E alerta os comerciantes que ainda criam caso com esse tipo de pagamento: ''Quem não aceita cartão de crédito está recusando no mínimo 50 milhões de compradores.'' (M.R./AE)

mockup