Cuidado com a sedução do crédito fácil
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaPreço salgadoAtraso no pagamento e o uso do sistema rotativo de crédito custam caro para usuários dos cartões de créditoO consumidor de poder aquisitivo mais baixo precisa tomar cuidado com a sedução do crédito fácil. Embora as instituições financeiras estejam concedendo empréstimos a interessados de baixa renda, em alguns casos até mesmo para quem não tem carteira de trabalho assinada, as taxas de juro cobradas permanecem elevadas.
Nas operações de crédito pessoal, a Fininvest, por exemplo, cobra 13% de juro ao mês; no Banco PanAmericano, as taxas são mais baixas, mas ainda assim estão bastante salgadas: 9% ao mês.
A técnica de Assuntos Financeiros da Fundação Procon-SP, Cristina Rafael, afirma que o consumidor deve dar atenção especial aos juros embutidos na operação. Se a intenção for utilizar os recursos para a compra de algum bem, ela recomenda que o consumidor, se possível, adie a compra, poupe o dinheiro e faça a aquisição à vista, mais à frente. A técnica do Procon diz ainda que é indispensável a leitura atenta de todas as cláusulas do contrato.
No caso do cartão de crédito, Cristina também alerta o consumidor para as altas taxas de juro cobradas em caso de atraso ou no sistema rotativo.
Ela orienta ainda o consumidor que não faça compras pelo telefone usando o cartão, pois há necessidade de fornecimento de seu número, o que pode causar problemas.
Como muitos desses consumidores não têm experiência com esse instrumento de crédito, ela lembra que, em caso de perda, furto ou roubo do cartão, o portador deve ligar imediatamente para a administradora pedindo o seu cancelamento.
PopularizaçãoQuem não tem cartão de crédito porque recebe um salário inferior ao exigido pelas administradoras - geralmente, o valor gira em torno de R$ 500,00 - ou porque não tem como comprovar uma renda mensal mínima já conta com algumas opções para adquirir o produto. Trata-se do Credicard-RedeShop e do Poupcard Bradesco, cartões dirigidos para a faixa de população com menor poder aquisitivo. No primeiro, a renda mensal mínima exigida é de R$ 300,00 e, no segundo, basta que o interessado possua uma caderneta de poupança no Bradesco, de qualquer valor, para solicitar o cartão.
O funcionamento do Credicard-RedeShop é idêntico ao de um cartão de crédito comum: o associado tem uma data mensal fixa para quitar a fatura e pode utilizar tanto o crédito rotativo (pagamento de no mínimo 20% do débito no vencimento da fatura) como o sistema parcelado (o valor pode ser dividido em até dez vezes). O número de estabelecimentos em que o novo produto é aceito é, no entanto, bem menor. É que o Credicard-RedeShop pode ser usado apenas em lojas que possuem terminais eletrônicos. Atualmente, a Credicard conta com mais de 300 mil
estabelecimentos afiliados em todo o Brasil, mas apenas 60 mil com o equipamento eletrônico. Nos demais, ainda é usado o sistema manual.
O Poupcard Bradesco funciona como um cartão de compras, mas com algumas diferenças em relação aos mesmos produtos oferecidos pela concorrência. Enquanto nos cartões de compra tradicionais a concretização da operação está condicionada ao saldo em conta corrente, no Poupcard ela é efetuada de acordo com o saldo na caderneta de poupança. A diferença, positiva para o consumidor, é que o débito só é feito após o vencimento da poupança. Isso significa que, além de jogar o pagamento para frente (até 30 dias), o associado tem o rendimento da caderneta preservado.
O Poupcard Bradesco também só pode ser usado nos estabelecimentos credenciados que trabalham com terminais eletrônicos, os quais, atualmente, totalizam cerca de 21 mil.


