Cuidado com a qualidade da carne pré-moída
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de junho de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) quer proibir a venda da carne pré-moída. A prática é comum em supermercados e açougues, mas o órgão apurou diversas irregularidades em testes realizados com produtos comprados em açougues e supermercados de São Paulo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já foram notificados pelo órgão para proibir a venda.
De acordo com o Idec, essa comercialização é ilegal. Como a legislação que versa sobre o assunto é confusa, muitos estabelecimentos acabam aproveitando as brechas da lei para vender o produto. O órgão realizou testes com 27 amostras e todas apresentaram problemas nas análises microbiológica e físico-química. De acordo com o teste, 26 amostras tinham coliformes totais acima do aceito como seguro. Em 7 foram encontrados coliformes fecais; 6 continham gordura acima do permitido.
Além disso, 26 amostras tinham aponevrose (tecido conjuntivo que reveste os músculos e os liga aos ossos através dos tendões) acima do permitido. A aponevrose altera o sabor da carne e reduz a quantidade de proteína. Já a presença de coliformes fecais pode provocar cólicas, náuseas, vômitos, cefaléia, febre, diarréia ou colite hemorrágica.
Duas amostras ainda utilizaram incorretamente as expressões ''light'' e ''extra light'' porque os teores de gordura estavam acima dos padrões estabelecidos como referência.
Através da sua assessoria de imprensa, o órgão disse que os resultados dos testes com as amostras coletadas em São Paulo devam ser semelhantes na maior parte do País. Por isso, a recomendação é que o consumidor não compre carne pré-moída. ''A preferência deve ser para a moagem na hora da compra e visível ao consumidor'', afirma Marilena Lazzarini, coordenadora institucional do Idec. O órgão também orienta que na hora da compra os consumidores observem as condições de higiene do local, atitudes dos funcionários e temperaturas de conservação.


