Antes de partir para as compras de Natal, é recomendável que o consumidor faça um planejamento cuidadoso, de forma a não comprometer seu orçamento. O momento exige cautela, porque fazem parte das previsões para 1997 a possibilidade de aumento na taxa de desemprego e também perspectivas modestas de reajustes salariais, alertam os consultores do mercado. O ideal é comprar só o que for mesmo necessário agora e, se possível, manter algum dinheiro em caderneta de poupança, como margem de segurança.
O comércio não está trabalhando com estoques fartos, justamente porque não aposta em forte onda de consumo este ano. Mesmo assim, convém adquirir antes das festas somente os presentes que serão trocados na noite de Natal. As compras de produtos para uso próprio, ao contrário, devem ser deixadas para depois do dia 25, recomenda o administrador de patrimônio, Paulo Possas. ‘‘O comércio não deverá fazer grandes liquidações, mas vai queimar rápido o que não vender antes das festas’’, explica.
Os lojistas parecem estar mais cautelosos. ‘‘Não há euforia, até porque a expectativa é de que boa parte dos consumidores já vem assumindo dívidas desde que o Banco Central afrouxou o crédito, o que deverá comprometer o 13º’’, comenta Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo.
Além da racionalização dos gastos, o consumidor deve evitar comprar a prazo. Do ponto de vista financeiro, a compra à vista é sempre mais vantajosa, porque envolve descontos. E quem hoje negocia descontos de, no mínimo, 3% em relação ao valor a prazo já está ganhando, explica o matemático-financeiro José Dutra Vieira Sobrinho. Segundo a técnica do Procon Marta Moneo, se a necessidade do bem não for imediata, o ideal é poupar o dinheiro para comprar à vista. ‘‘O consumidor não deve fazer do cheque especial o seu segundo salário e controlar os gastos com o cartão de crédito.’’

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