Cubano apresenta modelo de agroecologia
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segunda-feira, 08 de outubro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O engenheiro agrônomo e representante do Ministério de Educação Superior de Cuba, Fernando Funes Monzote, apresentou ontem em Curitiba as alternativas agroecológicas para inverter a tendência mundial de urbanização das cidades e buscar a fixação definitiva do agricultor no campo. Há dez anos, Cuba teria iniciado a produção de culturas sem adição de agrotóxicos - o que teria contribuído para melhoria de renda das famílias rurais e teria reduzido os impactos dos agrotóxicos na saúde dos cubanos. O resultado é um crescimento médio de 10% ao ano desde 2004.
''O riso de voltarmos a uma cultura convencional é quase zero. Alguns agricultores que ainda valorizam a cultura norte-americana regressaram para este tipo de atividade. Mas estamos investindo na soberania alimentar. Não se consegue isso com as culturas tradicionais. Em Cuba, os produtores não estão preocupados com o impulso dado pelo agronegócios ou pela ditadura das multinacionais. Lá existe o interesse do povo, da saúde. O nosso interesse como governo é o padrão de vida da população'', declarou Monzote. Cuba tem atualmente mais de 2,5 mil pessoas com mais de 100 anos. A expectativa de vida no País é de 76 anos para homens e de 78 anos para mulheres.
A adoção de incentivos para produtos ecologicamente corretos fez com que 10% da população cubana voltasse para o campo nos últimos dez anos. Outro incentivo dado foi para a agricultura urbana (em volta das grandes cidades e nas regiões metropolitanas). Isso só teria sido possível com a implementação de incentivos em áreas degradadas e abandonadas - que eram consideradas como ''uma praga social''. Eram locais sem qualquer tipo de saneamento e que estavam abandonados no País por décadas. ''Essas áreas abandonadas eram problema social, de sanidade e de segurança. Elas foram destinadas para agricultura urbana. Isso deu certo'', ponderou.
O governo cubano se coloca contra a produção de transgênicos - que seria uma produção de larga escala, mas que traria consequência social e econômica para o País. ''Um homem no campo é uma solução. Um homem na cidade é um problema. Temos que buscar alternativas de solução dos problemas. Isso é gradativo'', pontuou Monzote, que integrou a equipe que conquistou o Prêmio Nobel da Agricultura Alternativa em 1999.


