Cuba quer ser fornecedor de produtos orgânicos
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quinta-feira, 12 de novembro de 1998
Vânia Casado 
Cuba poderá despontar como o grande país produtor de alimentos orgânicos, para atender os mercados exigentes da Europa e Ásia. Depois de ficar anos confinado ao atraso em função do bloqueio econômico, a agricultura cubana se habituou a produzir sem recorrer a produtos químicos e essa prática originou umo setor que poderá projetar o país no comércio internacional.
A informação é do secretário geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Agricultura de Cuba, Blas Berriel Pe¤a, que esteve em Curitiba, fazendo contatos com dirigentes de entidades sindicais de trabalhadores.
Cuba já se destaca na exportação de cana-de-açúcar, tabaco, café, cacau, banana, citros e mel. Mas a produção de alimentos orgânicos poderá atender um novo nicho de mercado que está despontando no comércio internacional.
Novo enfoque Segundo Blas Pe¤a, Cuba é referência em alguns setores da medicina, da biotecnologia, reprodução animal e agora deverá se dedicar a agricultura orgânica, informou o dirigente sindical.
Pe¤a reconhece que o fator limitante para a expansão deste setor é a falta de energia, que favoreceria os projetos de irrigação necessários para a prática da agricultura orgância em grande escala.
Segundo o sindicalista, o país não tem hidrelétrica, mas está aberto a investimentos em energia. A garantia é o potencial de mercado que pode ser explorado no exterior.
Olho no mercado Segundo Pe¤a, com as novas possibilidades que estão se abrindo para Cuba explorar no mercado externo, em 10 anos seu país vai explodir comercialmente. As condições para isso o país já tem. Ele aponta a política educacional que erradicou o analfabetismo, os baixos índices de mortalidade infantil e a perspectiva de vida da população, que vai até os 75 anos. Ele destaca ainda a cobertura de assistência médica, que tem um médico de família para cada 67 famílias.
Ao contrário do que se prega, Pe¤a disse que 70% das propriedades rurais em Cuba são propriedades privadas e o comércio de produtos agrícolas é regulado pelo mercado de oferta e demanda.
Ocorre que o Estado garante a compra da produção por um preço mínimo para garantir o abastecimento da cesta básica para a população. E o excedente vai para o mercado agropecuário onde predominam as leis de oferta e demanda de produtos. No mercado agropecuário, a comercialização é livre e o lucro é distribuído pelas cooperativas aos associados, que investem em infra-estrutura.


