Cuba prepara plantio de transgênicos
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quinta-feira, 29 de maio de 2003
Por Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília Cuba pode plantar transgênicos comercialmente, a partir do próximo ano. Há dez anos, o país faz pesquisas sobre organismos geneticamente modificados, os mais avançados são os de arroz e milho resistentes a insetos. ''Esses plantios podem começar em 2004'', informou hoje Ricardo Lleonart, do departamento de engenharia genética do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia, durante entrevista no Ministério da Agricultura.
Lleonart foi um dos especialistas de Cuba, Argentina e Venezuela convidados pela Associação Nacional de Biossegurança (ANBio) para vir ao Brasil discutir transgênicos. Os especialistas contaram que a Argentina tem aumentado a exportação de soja para a Europa, mesmo cultivando OGM. Na Venezuela, a lei de biotecnologia estabelece a análise caso a caso para a liberação de organismos geneticamente modificados, tendo como princípio básico a precaução.
A presidente da ANB, Leila Oda, que já foi presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), lembrou que no Brasil vigora uma ''moratória judicial'' aos transgênicos, há quase cinco anos. ''Essa moratória leva à moratória do desenvolvimento científico no País'', criticou. Leila disse que a Academia de Ciência do Vaticano garante que a transgenia ''pode representar a alternativa para melhorar as condições ambientais do processo agrícola.'' Segundo ela, o processo agrícola atual resulta em graves problemas, como o uso intensivo de agrotóxico e a erosão do solo, problemas que poderão ser solucionados com a biotecnologia.
O consultor da Universidade Católica e diretor da AgriPac, Pablo Adreani, informou que Argentina ganhou mercados de exportação de soja para a União Européia nos últimos anos, mesmo com o cultivo de sementes geneticamente modificadas. ''Ao contrário do que se imaginava e apesar de a Europa ameaçar suspender as compras da Argentina'', revelou Adreani.
Ele disse que a União Européia importou na safra 97/98 quatro milhões de toneladas de farelo de soja argentino. No ano passado, o volume foi de 10 milhões de toneladas e as estimativas para o ano-safra 2003/04 indicam demanda entre 11 e 12 milhões de toneladas.
Demanda - Segundo Adreani, seria mais vantajoso para os argentinos se o Brasil proibisse o plantio de sementes geneticamente modificadas, pois o país incrementaria a produção para atender à demanda mundial crescente por alimentos. Como bloco, numa visão estratégica e comercial, é mais interessante para os argentinos a liberação da transgenia também no Brasil. ''O aumento de rendimento virá do emprego de tecnologia e não somente do incremento na área plantada'', destacou ele, citando dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontam o crescimento de 17% na demanda mundial por cereais e oleaginosas em 2013.
Adreani defendeu a formação de uma comissão de biotecnologia conjunta do Mercosul - a exemplo da brasileira CTNBio - capaz de elaborar uma política única.


