A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou ontem o plantio experimental do arroz transgênico Liberty Link no País, atendendo a pedido da empresa Hoescht Schering AgrEvo do Brasil. O teste é inédito e deve começar em dezembro, numa área inferior a 2 ha do Instituto Riograndense do Arroz, no Rio Grande do Sul. Foram determinadas medidas de segurança, como a cobertura de parte do local com redes para impedir o acesso de aves.
Diferentemente da soja transgênica, cujo plantio em escala comercial recebeu parecer favorável da CTNBio em setembro, o arroz tem no País um parente silvestre, chamado de arroz vermelho, o que permite o cruzamento entre as duas espécies. Como o alimento transgênico é geneticamente modificado para resistir ao herbicida Liberty, existe a possibilidade de, após o cruzamento, o arroz vermelho - que tem menos produtividade e, por isso, é eliminado da lavoura - tornar-se também imune ao herbicida.
‘‘Não temos a menor dúvida de que há o cruzamento, mas queremos saber com que frequência isso ocorre’’, disse o presidente em exercício da comissão, Luiz Fernando Lima Reis. Para o teste, os especialistas da CTNBio, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, fixaram uma série de normas que deverão ser seguidas pela AgrEvo.
A área efetivamente plantada com o arroz Liberty Link será de 2 metros quadrados. Em volta, será semeado o arroz vermelho, para verificação do índice de cruzamento entre as duas variedades. Esse local ficará protegido por uma rede, de modo a impossibilitar o acesso de aves. Numa faixa de 50 metros de extensão, ao redor dessa redoma, não poderá haver nenhum vegetal, para evitar eventuais polinizações.
A seguir, será plantada uma faixa de 10 metros de arroz convencional - que será destruído ao final do teste - como último recurso de segurança. ‘‘Qualquer pólen que conseguisse escapar, o que é improvável, seria capturado pelo arroz’’, explicou Reis.
O experimento será monitorado pela CTNBio, que aguarda os resultados para determinar possíveis riscos ao ambiente por parte do arroz transgênico. Os técnicos descartam o risco de o arroz vermelho transformar-se numa superpraga, caso fique imune ao Liberty.
Isso porque o arroz transgênico é imune apenas a esse herbicida, que não é atualmente usado na lavoura. Para atacar o arroz vermelho, os agricultores recorrem a outros produtos químicos, que não perderiam a eficácia.
‘‘Se o arroz vermelho ganhar resistência ao Liberty, bastará utilizar um segundo herbicida’’. Esse foi um dos argumentos apresentados pela AgrEvo.

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